Comentário da Lição 3 (3o Trim/2017) por Membros da Classe do Moisés Sanches Júnior

14 de julho de 2017

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O PREÇO DA UNIDADE QUE NÃO TEM PREÇO

A lição desta semana repousa sobre três pontos importantes descritos nos objetivos para a semana, e para os quais gostaria de conduzir-lhe a atenção:

Conhecer: A verdadeira base da unidade entre os cristãos, que são tão diferentes entre si como os judeus eram dos gentios.

Sentir: A tensão e preocupação envolvendo o assunto da circuncisão à luz do evangelho da graça.

Fazer: Tomar a decisão de se firmar nas doutrinas fundamentais da fé e da graça.

Os objetivos acima nos remetem a uma questão fundamental – a Fonte de conhecimento.

De trás para diante, se existem doutrinas fundamentais, alguém as estabeleceu. Se existe tensão e preocupação, alguém as gerou. Se buscamos a unidade, não será pela sedição ou sedução à um ou outro lado da tensão que esta será alcançada. A verdadeira unidade será alcançada pela compreensão e aceitação da VERDADE por todos os envolvidos.  Em outras palavras, quanto mais perto todos estiverem da verdade (centro), mais perto estarão da unidade plena por estarem perto uns dos outros.

SE POSSÍVEL E QUANTO POSSÍVEL, TENDE PAZ COM TODOS

O texto de Gálatas 2 apresenta uma preocupação e ao mesmo tempo uma grande lição sobre a conduta de Paulo.  No momento em que os líderes da Galácia apontam divergências entre a abordagem de Paulo e a de Pedro, Paulo relembra um episódio ocorrido em Jerusalém sobre o mesmo tema.  Ao identificar que sua abordagem sobre o evangelho aos gentios produzia tensão entre os mais tradicionais líderes da igreja judaico-cristã, em lugar de seguir adiante, Paulo viaja 500 quilômetros com o intuito de se encontrar com estes líderes e conversar com eles sobre suas dúvidas ou impressões a respeito do evangelho.

Curiosamente Paulo leva nesta “missão”, um cristão grego de nome Tito, não circuncidado.  Pode parecer num primeiro momento que Paulo estivesse provocando aos líderes, mas, o objetivo é oposto a este.

Se de um lado temos as teses de que a salvação é privilégio judeu por suas prerrogativas nacionalistas e pelo chamado de Deus à Abraão, de outro, está Paulo, um judeu, com a prova inquestionável de conversão de um grego.

Existem aspectos bastante particulares na forma meticulosa como este texto de Gálatas fora escrito originalmente, pois as palavras escolhidas por Paulo e sua forma textual expõe uma tensão profunda, como se Paulo estivesse medindo suas palavras e pisando em ovos.

Se por um lado ele se posiciona firmemente quanto à suas convicções e certeza de orientação divina, por outro ele parece tomar todo o cuidado para convencer sem ofender.  Ele parece estar realmente preocupado em não gerar qualquer impressão de arrogância, apesar de estar certo em seu posicionamento doutrinário.

Ao descrever aos membros da Galácia sua visita aos líderes religiosos de Jerusalém, Paulo se preocupa em expor tanto a tensão quanto o cuidado que ele teve nesta busca pela unidade.

Paulo tratava a autoridade da igreja com todo o respeito devido e necessário.  Não seguia seu próprio caminho.   Apesar de estar certo, direcionou todos os seus esforços para alcançar a unidade.

Apesar disto, sua cortesia e respeito não podem ser confundidos com leniência e sedição.  Paulo não se deixava intimidar pela pressão ou pela oferta de apoio.  Se por um lado é fato que Paulo respeitava a Pedro, Tiago e João, por outro, é igualmente verdadeiro que ele sabia. Quem o havia chamado a verdade, e conhecia plenamente a Fonte desta verdade.

Uma parte dos líderes da igreja de Jerusalém parece ter tentado seduzir a Paulo que conduzisse Tito à circuncisão em troca de receber o apoio da igreja.  Porém, por maior que fosse o desejo de Paulo pela unidade, isto não poderia ser confundido com a necessidade de aprovação dos homens sobre seu ministério.  Seu tutor e mestre era Deus, e ele não abriria mão disto.  Ceder num só ponto da doutrina implicaria em negar toda ela.

Este seria um preço caro demais, até mesmo para a unidade da igreja.

Um outro conflito tratado por Paulo no texto desta semana ilustra como mesmo pessoas experientes como Pedro, não estavam isentas de cometer erros.

Em Antioquia, Pedro se comporta de maneira inadequada ao mudar escancaradamente de procedimento apenas por que cristãos judeus haviam chegado à região.  Dias atrás sentara-se livremente com gentios, comeu com eles, participou com eles do Evangelho, porém, ao chegarem pessoas que poderiam criticá-lo, mudou seu comportamento.  Essa apresentação dúbia demonstra o risco que sempre está à nossa frente.  Integridade não pode ser uma retórica.  Sim, é fato de que podemos fazer adaptações a nosso comportamento para efeitos de cortesia cultural, mas isso não pode significar mudar nosso procedimento naquilo que é central ao Evangelho.

O cristão precisa conhecer profundamente a Palavra de Deus pois, somente este conhecimento poderá fornecer a sabedoria necessária para perceber o limite entre a forma e a essência do evangelho.  Adaptações nas formas são permitidas e necessárias, mas adaptar a essência, é perder o Evangelho por completo.

A questão principal não foi o fato de Pedro ser cortês e comer com os recém-chegados judeus. A questão foi sua tentativa de mudar o comportamento dos gentios depois que os judeus chegaram.  Ao mudar seu comportamento, ele colocou os gentios em segundo plano, exaltando a “pureza” dos judeus e a “impureza” dos gentios.  A essência do Evangelho fora quebrada ali, pois Deus não faz acepção de pessoas.

POR QUE UNIDADE?

Mas afinal por que a unidade é tão importante? Sobre este ponto, talvez seja importante destacar alguns itens:

  1. Casa dividida não prospera

Alguns confundem este texto com uma necessidade de unidade a qualquer preço.  A questão aqui é outra. Casa dividida não prospera se estiver junta.  Portanto, se houver divisão de opiniões, deve-se lutar pela unidade que provém da verdade, mas caso isto seja impossível, que se separem, pois, casa dividida não prosperará (se continuar junta na divisão)

  1. Divisão é desperdício de energia

A divisão consome esforços, energia e atenção que deveriam ser empregados na missão.  Enquanto se discutem as opiniões divergentes, tempo precisos da missão é desperdiçado. Isto não quer dizer que se deve contemporizar com as diferenças e jogar pra baixo do tapete as opiniões divergentes. Apenas é um alerta de que existe um limite aceitável para o esforço na tentativa de unidade.

  1. A unidade potencializa esforços

Tarefas executadas juntos reduz o desgaste, o esforço e potencializa os resultados. É mais fácil carregar uma carga em mais pessoas do que sozinho.  Além de ficar mais leve o trabalho, ainda podem aproveitar o tempo para interagir, desfrutar da convivência e do amor cristãos.

  1. A unidade evidencia a Fonte do Evangelho

“Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”

A unidade demonstra claramente a essência de que naquele lugar ou povo habita um mesmo Espírito, um mesmo Cristo, uma mesma doutrina

  1. A unidade na doutrina, apesar das diferenças ilustra o verdadeiro sentido de Tolerância

Os verdadeiros cristãos entendem que Deus não nos fez iguais.  Aprendem a conviver com as diferenças, mas se mantém unidos pela verdade, pondo em segunda instância seus pontos de vista parciais em prol de uma verdade central.

Sobre esta questão das diferenças e diversidade comentaremos um pouco mais a frente.

  1. A unidade é mais difícil de ser enfrentada ou quebrada

Essa é uma verdade que vale para os dois lados – o certo e o errado

Enfrentar uma guerra sozinho é muito mais difícil do que passar por ela com outras pessoas.  Os ânimos melhoram e os riscos diminuem.  Talvez uma forma boa de ilustrar esta questão seja a frase de Eliseu a seu servo na iminência da guerra – São mais os que estão conosco. Quando foram abertos os olhos do servo, seu receio e ansiedade diminuiu.

DIVERSOS X DIVERSIDADE

Uma ultima reflexão talvez seja prudente sobre a lição de terça-feira.

Embora o tema UNIDADE NA DIVERSIDADE seja pertinente ao contexto da lição, muitas pessoas têm compreendido equivocadamente o que o Evangelho propõe com esta frase.

O que é verdade e o que é fantasia sobre a forma como o Evangelho é inclusivo?

Sim, Deus nos adverte de que o cristão recebe, respeita, tem tolerância e apresso por todas as pessoas.  Mas isso não quer dizer que o cristão aceita de defende a diversidade indiscriminadamente.

Aceitar o diverso não é o mesmo que aceitar sua diversidade.

Aceitar o diverso é entender que todas as pessoas podem escolher livremente o que desejam fazer de, e com sua vida.  Porém, aceitar a diversidade, implica em aceitar as escolhas que alguém tenha feito. Isso não é o que o Evangelho propõe.  O Evangelho apresenta uma proposta de transformação, não de estagnação.  Aceita sim o diverso, mas não sua diversidade.

A diversidade precisa ser filtrada pela essência do Evangelho.

À título de exemplo, se um assassino procura o Evangelho, o assassino pode e deve ser aceito, porém, seu comportamento de assassino deverá se modificar pelo evangelho.  Uma coisa é aceitar o pecador como ele está, preso e maltratado pelo pecado que ele mesmo escolheu, outra bem diferente é aceitar e contemporizar com o seu pecado.

O mundo tem acelerado sua proposta de que as pessoas sejam obrigadas a aceitar a diversidade junto com o diverso, e isso, infelizmente, contrapõe frontalmente à Palavra de Deus.  Assustadoramente este pensamento disfarçado de “inclusivo” tem adentrado as fileiras da igreja e produzido uma redução dos padrões essenciais do Evangelho.

Respeito ao livre arbítrio não pode ser confundido com um salvo conduto à libertinagem.Pense nisto.

MLSJ/2017