Comentário da Lição 4 (3o Trim/2017) por Membros da Classe do Moisés Sanches Júnior

21 de julho de 2017

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JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ

 Esta semana nos deparamos com um dos pontos mais maravilhosos, mas ao mesmo tempo, difíceis da abordagem de Paulo.

Se por um lado somos agraciados com a imensa misericórdia de um Deus que nos justifica pela entrega de Seu Filho em nosso lugar, por outro, somos tentados a nivelar por baixo o resultado desta justificação, e, perigosamente lançados à uma completa e irrestrita anulação da obediência ao mesmo Deus que exigiu em Cristo a Justiça.

A lição propôs 3 objetivos claros para a semana:

 

  1. Conhecer: O único caminho pelo qual podemos ser justificados diante de Deus no juízo.
  2. Sentir: O repouso obtido quando abandonamos nossa justiça própria e dependemos da justiça de Cristo.
  3. Fazer: Identificar-se completamente com a morte de Cristo e viver Sua vida em lugar da nossa.

 

 

Vou me deter no comentário desta semana essencialmente nestes 3 pontos.

 

  1. Conhecer o Único CAMINHO pelo qual podemos ser justificados diante de Deus no juízo

 

Primeira pergunta: Por que só existe um caminho?

 

Dentre as dezenas de respostas possíveis e verdadeiras para essa pergunta, a essência do texto de Galatas repousa no fato de que o único Justo que por aqui passou foi Cristo. O único Bom que por aqui viveu foi Ele.  O único que sobreviveu aos embates com Satanás e não pecou foi Jesus.  Sendo assim, o único modo de alcançarmos à Deus passa por este Cristo.

É imprescindível que compreendamos de uma vez por todas que é impossível ao humano atingir, enquanto pecador, a competência da Lei.  É impossível ao humano, enquanto pecador, atingir a integridade que se sustente frente ao Juízo.

Pela graça, única e exclusivamente somos salvos.  Pela fé, única e exclusivamente nos apoderamos desta salvação e somos justificados, atingindo um estado de paz com Deus.

Somente pelo sangue de um justo, voluntariamente entregue por um pecador, a salvação se torna possível.

Se fosse possível a qualquer ser humano pecador atingir às exigências de integridade da Lei, Cristo não precisaria ter vindo, e seu sacrifício e vida não seriam legítimos.

“Não há um ponto que necessite ser realçado com mais diligência, repetido com mais frequência ou estabelecido com mais firmeza na mente de todos, do que a impossibilidade de que o ser humano caído mereça alguma coisa por suas próprias e melhores boas obras. A salvação é unicamente pela fé em Jesus Cristo” – Ellen G. White, Fé e Obras, p. 18, 19

“A lei requer justiça, e esta o pecador deve à lei; mas ele é incapaz de a apresentar”.  Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 367

Não pode pairar dúvidas sobre esta questão.

 

Segunda pergunta: Se Cristo já morreu, e já fomos justificados, por que então o juízo?

 

Sobre este ponto paira toda a confusão.  Se Cristo fez tudo que precisava ser feito, e se já fomos justificados por sua morte, então o juízo já foi executado, e já estamos salvos. Por que um novo julgamento? Por que outro juízo quando morrermos? Por que outro juízo quando Cristo retornar?

Há uma tendência recorrente neste ponto do tema, de que assumamos duas posturas frente ao que Cristo fez na Cruz.

A primeira, e mais comum, é a de que nos equivoquemos quanto ao objeto da cruz, assumindo uma postura de que Cristo fez tudo, e portanto, nada me resta a fazer, uma vez que a graça faz todas as coisas, e a mim, resta aguardar de braços cruzados o dia da minha redenção.  A segunda, menos comum, mas, existente, é a de que Cristo pagou o preço do pecado na cruz, mas o pecado mais como um conceito etéreo, ou mesmo o pecado de Adão enquanto Eden, mas que o processo da salvação nossa esteja de alguma maneira vinculado à nossa busca por um processo comportamental de santidade ou santificação que implique a salvação.  Tal pensamento, ainda que possa ser dourado por enfeites de compromisso cristão e responsabilidade ou obediência, guarda escondido o pressuposto de que seria possível ao ser humano satisfazer em sua conduta os ditames da Lei, o que, resultaria, na ineficácia e dispensa do sacrifício de Cristo.

Com foco nestas duas possibilidades, surgem perguntas importantes.

Por que Cristo morreu? Às vezes nos esquecemos de que a morte de Cristo é causada pela estrita exigência da Lei.  A Lei de Deus exige que o pecado seja extinto, e, caso o pecador insista em continuar preso ao domínio do pecado, seu fim será inexoravelmente a morte.

Aqui começa a confusão.  A Lei produz morte?

Se dissermos que sim, estamos negando o próprio Paulo, quando diz que “a lei era para a vida”.

Mas também se dissermos não, estaremos negando o mesmo Paulo que diz que ao se encontrar com a Lei, reviveu nele o pecado e ele morreu.

Esse dilema se resolve ao entendermos que a Lei produz morte para o pecador, mas foi feita para a vida daquele que não é pecador.

Portanto, se a Lei é Santa, Justa e Boa, por que precisaria ser ela anulada ou abolida?

Se a Lei do Senhor é perfeita, e restaura a alma, por que necessitaria ser extinta?

Em realidade existe um erro de aplicação aos textos de Paulo quando estes evidenciam que ninguém é justificado por obras da Lei.

O ponto normalmente esquecido pelos debatedores da Justificação pela Fé, é o de que o fato de que não sejamos justificados por obras da Lei (por que simplesmente não temos tais obras em virtude do pecado que em nós reside), não significa que não devamos obedecer a Lei.  A atitude infantil deste tipo de pensamento se equipara a de uma criança, que uma vez que perceba que seus desenhos nunca serão tão bons quanto os dos adultos, cruzem os braços com a desculpa de que, por que seus desenhos são infantis, ela não vai mais desenhar.

A razão pela qual não conseguimos obedecer a Lei de Deus em sua amplitude é por que tem pecado dentro de nós que nos impede, mas, isso não é desculpa para entregar-se ao domínio deste mesmo pecado e confrontarmos a Lei em desobediência.

Cristo nos prometeu perdão e livramento na cruz, mas ao mesmo tempo nos convidou para viver como Ele viveu.  Nisto se pauta a verdadeira santificação, em que, reconhecendo nossas imperfeições e fragilidades, nos aproximemos cada vez mais de sua graça e poder afim de que por Ele sejamos transformados pela renovação de nossa mente.

Ainda que continuemos com nossas inconstâncias, e dependentes de a cada dia buscarmos o perdão, a conversão a Cristo implica sim em uma mudança no estilo de vida e na prática dos princípios da vida cristã.

O que foi extinto na cruz foi o domínio do pecado e da morte.  Mas a cruz não extinguiu o pecado.

Sendo assim, continuamos dependo de que a Lei nos mostre o que é pecado e o que não é. Aliás, isto é exatamente o que Paulo nos confirma ao apontar que sem a Lei, estaria morto o pecado, e mais, sem a Lei, jamais nos viria o conhecimento pleno do pecado.

O que nos leva a questão central: Para que a Lei?

É a lei que me mostra minha identidade atual, em contraste com a identidade do sonho de Deus pra mim.

A Lei me mostra o pecado e me conduz a Cristo (nos serviu de aio).

Sim, a Lei não me salva, ela me condena.

Mas, uma vez salvo, voltarei aos pecados que a Lei outrora condenou? De maneira alguma, diria Paulo.

É por isso, e só por isso, que a cada dia necessitamos da graça salvadora de Cristo. Todos os dias nos deparamos com a Lei do pecado e da morte, e todos os dias nos damos conta do quanto somos dependentes da graça.

Esta triste e dura realidade não nos é posta para que desistamos de servir a Deus com todas as nossas forças, mas antes sim, para que tenhamos a consciência de que sem Ele nosso fim seria trágico.

A quem interessaria a retirada de cena da LEI de Deus?

A intenção de Satanás desde o início do pecado era a construção de um reino paralelo onde ele fosse o próprio Deus regendo seus súditos.

Para conseguir seu intento, era necessário que o ser humano duvidasse da integridade de Deus e principalmente, duvidasse de que Suas Leis fossem pautadas no amor e não na tirania.

Não é de se espantar que seus ataques contra a Lei de Deus ultrapassassem o Jardim do Eden e, numa nova coloração, surgissem hoje e sempre contra a mesma Lei.

Extinta a Lei, estaria extinto o conceito de pecado, e consequentemente, o ser humano à deriva seria facilmente conduzido à prática de uma vida autossuficiente e que excluiria Deus como Senhor.

No fim das contas, o que o pecado sempre quis foi uma vida em que a criatura fosse dona de si mesma, sem qualquer vinculação normativa com Seu Autor.

O que Satanás escondeu, porém, foi o fato de que ao excluirmos Deus como Senhor, isso afastaria de nós conjuntamente, a presença de Deus, gerando um vazio que nos roubaria completamente a paz.  O que também nos foi escondido é de que a vida só existe e só tem sentido quando estamos plenamente com nosso Criador. Tal percepção nos conduzirá ao segundo objetivo da lição desta semana.

 

  1. Sentir: O repouso obtido quando abandonamos nossa justiça própria e dependemos da justiça de Cristo.

É por isso que a graça nos traz de volta a paz, e não uma paz qualquer, mas a paz que excede todo o entendimento.

É somente quando abandonamos a autossuficiência e retornamos a dependência de Deus que nossa identidade retorna.

Tanto faz se a autossuficiência seja resultado de uma crença na extinção da Lei, ou se ela nasça de uma exacerbação legalista, Satanás terá ganho o jogo em qualquer dos lados, pois estaremos dependentes de nossa própria justiça.

Somente uma obediência a Deus que resulte da completa dependência dEle, reconhecimento de nossa insuficiência e incapacidade, e, principalmente, da necessidade de seu poder e perdão constantes, nos trará a paz que buscamos.

 

Nisto repousará nossa prática cristã – Em identificar-se completamente com a morte de Cristo e viver Sua vida em lugar da nossa.

 

Pense nisto.

MLSJ/2017