Comentário da Lição 6 (2o Trim/2017) por Membros da Classe do Moisés Sanches Júnior

4 de agosto de 2017

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SUPERIORIDADE DA PROMESSA


Esta semana atingimos o centro do debate. A conflituosa, convergente e complementar relação entre a lei e a fé, entre a amplitude da graça refletida na promessa e realidade da prática fiel do que crê, retornando esta mesma graça em obediência e gratidão.

A lição nos apresentou 3 objetivos:

 

 

  • Conhecer: A relação entre a promessa da salvação e a lei.
  • Sentir: O contraste entre nosso relacionamento com Deus por meio da Sua promessa de graça e por intermédio da Lei.

 

  1. Fazer: Aceitar a promessa da graça mediante a fé, bom como os benefícios da lei.

 

Podemos novamente dividir a lição em 3 pontos principais:

 

  1. Por que á promessa, qual é a Promessa, a quem foi dada e porque?
    1. Promessa é uma liberalidade unilateral que parte do que à faz e não do que a recebe.
      1. A primeira e importante coisa que Paulo faz questão de relatar é que Deus prometeu algo a Abraão que não dependia de Abraão.  Ao prometer sem pedir nada em troca, exceto a fé, fora confirmada a impossibilidade humana de prover sua própria salvação ou seu próprio resgate da condição de Pecado.  
      2. A segunda, é que fica evidenciada a ineficácia da prática humana frente ao rigor da exigência do paradigma perfeito do Caráter de Deus.  Por mais obediente que seja o homem, continuaria por demais distante do padrão moral exigido para estar presente diante de um Deus Santo sem que fosse consumido.
    2. A promessa feita à Abraão apresentava duas questões de grande importância.  A primeira diz respeito ao que foi prometido. A segunda se refere ao público alvo da promessa e sua motivação.
      1. Deus prometeu que ele (Abraão) seria pai de uma grande nação, e nele (Abraão), seriam benditas todas as nações da Terra.  Tal promessa seria estendida ao seu descendente. Essa é uma correlação curiosa, pois, se de um lado temos Abraão tendo um filho da promessa, de outro paralelo, temos Cristo, o filho Messias prometido.  Se pela via biológica temos a herança de Abraão na família Israelita, por outro, vemos a herança espiritual presente no povo que crê no Filho (Messias) prometido, e que pertence a todo povo, tribo ou nação do mundo, formando uma imensa família cristã.  Esta família, composta de todo tipo de pessoa é a exata confirmação da Promessa à Abraão – serão benditas todas as famílias da terra.
      2. Paulo toma todo o cuidado de evidenciar que os depositários da promessa de Deus eram Abraão e Cristo, o que nos remete ao fato de que os beneficiários da promessa feita à Abraão, deveriam igualmente ser beneficiários do Cristo.   Seus interlocutores estavam cometendo a “insanidade” de aceitar Abraão e rejeitar o Cristo, justamente o foco e o objeto da Promessa.
      3. Paulo sutilmente deixa exposto que a promessa tinha como beneficiários aos seus amigos judeus, porém, eles insistem em rejeitá-la.
    3. A única forma de receber o benefício da promessa é aceita-la por fé. Como já vimos em lições anteriores, “Abraão creu”.

 

  1. Quem vem primeiro – A Promessa ou a Lei, a Graça ou as obras?
    1. Aqui repousa o segundo grande argumento de Paulo, em que, antes que houvesse a Lei fora dada a promessa.  Aliás, 430 anos antes.
    2. Ao propor a antiguidade da promessa frente a novidade da Lei, Paulo resolve um dilema causado por seus interlocutores –  o de que Paulo estivesse trazendo uma “nova” doutrina.  Ele pulveriza este argumento ao demonstrar que a fé antecedeu a Lei.  Ao comparar a promessa com um Testamento, ele exclui toda e qualquer possibilidade de acréscimo ao tema, pois, nada se altera em um testamento de um morto pelo simples fato de que este não possa mais opinar.  
    3. Mais sutil que isto é o fato de que ao apontar para a impossibilidade de que algo fosse acrescentado à promessa, o que mudaria a promessa, ele nos remete ao fato de que a Lei não veio como acréscimo a Promessa, mas como evidenciador do pecado.  Poderia usar diversos exemplos aqui, mas me salta a mente dois muito peculiares que ilustram bastante bem essa questão.  Quando crianças iam ao consultório dentário, era muito interessante observar a forma como minha esposa demonstrava o tamanho da sujeira que aqueles pequeninos (e crianças em corpo de gente grande também) carregam em seus dentes.  Ao aplicar o produto conhecido como “evidenciador de placa”, em poucos instantes os brancos dentes se viam pintados com uma tintura que tornaria impossível qualquer um sair dali sem se limpar pois passaria a maior vergonha.  Essa é uma das funções preciosas da Lei. Ela evidencia o pecado e mostra exatamente em que posição do dente, quero dizer, da vida, essa mancha está.

O segundo exemplo não é tão delicado ou politicamente correto quanto o primeiro, mas ele serve perfeitamente para mostrar outra faceta do propósito da Lei.  Para quem gosta de nadar em piscinas muito frequentadas, sempre surge uma dúvida sobre que “substâncias” as pessoas as vezes liberam nestas águas.  Pensando nisto, os químicos desenvolveram um evidenciador de uréia. Deste modo, se alguém, intencional ou desavisadamente “deixasse escapar” urina nas águas da piscina, imediatamente isto provocaria uma reação química, mudando a coloração do líquido, formando ao redor do sujeito uma grande mancha azul ou roxeada. Perceba que existe aqui uma diferença em relação ao evidenciador de placa.  O evidenciador de placa identifica onde em você está a mancha, ou seja, a localização.  Já no segundo caso, o que está em evidência não é a mancha, mas o sujeito que produziu o pecado.  Portanto estas duas funções se complementam.  Identificar o pecado, e apontar quem é o pecador.

Porém, em nenhum dos dois casos, o evidenciador de placa ou de uréia consegue limpar o paciente ou o nadador.  Para ambos os casos é necessário outro produto.

No caso da Lei se dá exatamente a mesma coisa.  A Lei não limpa, não restaura, não muda o pecador.  A Lei apenas motiva o pecador a buscar o produto de limpeza que é a graça de Cristo.  

No primeiro caso, o pecador sozinho encontrou a Lei, verificou seu pecado e buscou a Cristo para sair com os dentes limpos.

No segundo caso, o pecador imaginava que poderia continuar escondido na multidão, então a lei evidenciou sua culpa, e ele envergonhado saiu de entre a multidão para se lavar em Cristo.

De certo modo, este também é o sentido do texto – o Amor de Cristo nos constrange.

    1. Enfim, ao afirmar que 430 anos depois de Abraão, Deus precisou acrescentar à promessa a Lei, Paulo explicita o motivo – Suas Transgressões.  O que parecia fácil, porém, se complicou quando Paulo acrescenta a frase “até que viesse o Descendente a quem se referia a promessa” Gálatas 3:19.  Como bem alertou-nos Pedro, Paulo parece gostar de dificultar as coisas.

A lição abordou bem a questão das aplicações possíveis para a expressão “até que…”, de forma que não vou me deter neste ponto.  Ainda assim, me permita tentar ilustra de uma segunda maneira este tópico para contribuir com a clarificação do tema.

      1. A primeira sugestão que eu faço é a de que olhemos a expressão a partir da motivação.  A Lei foi dada por causa de suas transgressões.   Israel se lançou profundamente na cultura e hábitos egípcios.  Igualmente a humanidade apresentou acelerada degeneração moral desde os dias de Adão até Abraão.  Até Jesus, nenhum Justo havia vivido na terra. O primeiro olhar que proponho para a expressão “até que”, é o de  Jesus foi o primeiro Justo que não precisava do “evidenciador” pecados, pelo simples fato de que ele não os possuía. (Satanás nada tem em mim, dizia Jesus).
      2. A segunda sugestão, decorrente desta, é uma pergunta: e depois de Jesus, todos os que nascemos, temos pecado?  Se sim, não se daria o caso de que continuássemos a depender do “evidenciador” para, primeiro indicar onde nossos pecados estão presos em nós, e em segundo, constranger-nos da vergonha do pegado e nos apontar para Cristo, o Salvador dos Pecadores. (A Lei nos serviu de Aio).
      3. A terceira é que colocássemos este texto em paralelo com S.Mateus 5: 17-20.  Ali está descrita explicitamente a vigência da Lei neste formato do Sinai – “Até que o céu e a terra passem…”.  Após o fim das transgressões com a Vinda de Cristo, essa forma da Lei já não fará mais sentido, afinal, no céu ninguém mente, adultera, mata, etc…  Onde não existem pecadores, não tem sentido esta Lei.  Num ambiente perfeito, faz sentido o 4o. e 5o. mandamentos, pois estes existem desde a fundação do mundo. Todos os outros oito, só se fazem relevantes por causa da incidência.  Não é a toa que o 4o. mandamento feche a primeira tábua e o 5o. abra a segunda.  Estes dois mandamentos fazem todo o sentido no mundo perfeito – Adoração e Honra ao nosso Deus Criador.

 

  1. Quais as consequências da inversão desta ordem Promessa –> Lei
    1. A primeira consequência da inversão é que, se fora possível cumprir a Lei em toda sua exigência, a promessa seria uma dívida a ser executada pelo ser humano contra Deus.
    2. Outra consequência seria a autossuficiência.
    3. Uma terceira consequência seria a completa “não necessidade” de Um Cristo morto na cruz, pois, uma vez que “sem Lei está morto o pecado”, Cristo teria morrido não por pecados, mas por alguma outra coisa, e a Bíblia estaria mentindo ao descrever os motivos da morte e ressurreição de Jesus.
    4. Se fora possível que alguém que já pecou, pudesse voltar por si mesmo viver sem pecado, a morte de Cristo fora então somente uma jogada de marketing e não uma real necessidade.
    5. Finalmente, a quem interessaria que o ser humano se tornasse autossuficiente, com tendências egocêntricas ou eremitas?   Certamente um método eficaz para alcançar este alvo seria, por um lado, extinguir a lei, o que eliminaria a noção de pecado, e por outro lado, exacerbar a função da Lei à tal ponto que não se perceba mais a graça da Salvação em Cristo.

 

Termino ressaltando o texto de sexta-feira:

 

“A lei de Deus, proferida do Sinai com terrível solenidade, é para o pecador o pronunciamento de sua condenação. É da alçada da lei condenar, mas não existe nela nenhum poder para perdoar nem redimir” (Comentários de Ellen G. White, Comentário Bíblico Adventista, v. 6, p. 1219).

 

E Complemento:

Mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, em Cristo Jesus, nosso Senhor.

 

Nisto repousará nossa prática cristã – Em identificar-se completamente com a morte de Cristo e viver Sua vida em lugar da nossa.

 

Pense nisto.

MLSJ/2017