Comentários da Lição 1 (4o Trim/2017) por Ligado na Videira

6 de outubro de 2017

licao-2017-4

(30/09) – Sábado – Introdução.

Carta aos Romanos é o mais longo escrito de Paulo para a igreja de Cristo – a mais teológica de todas – a de maior influência entre os cristãos. São dezesseis capítulos, desenvolvidos de forma bem cadenciada, crescente, onde o apóstolo deixa claro a condição humana e a solução Divina. Parece que Paulo está numa sala de aulas, e que eu estou lá, entre diversos alunos, bebericando de um assunto que só pode ter vindo dos santos céus.

Tudo indica que a Carta aos Gálatas e a Carta aos Romanos tenham sido escritas na mesma sequência – e que isso tenha acontecido entre os anos 57 e 58. O que é claro, no entanto, e deve ser destacado, é o fato de que ambas tratam do mesmo tema: a justificação pela fé. A diferença está na motivação: (1) A Carta aos Gálatas foi uma resposta rápida e impactante para um problema causado pelos cristãos judeus, que exigiam que os cristãos gentios participassem da “circuncisão”, o que Paulo trata como uma tentativa de salvação pelas obras; na linguagem de nossos tempos, poderíamos dizer que ele estava “apagando incêndio”; (2) Já a Carta aos Romanos, esta foi escrita de forma mais tranquila, com a intenção de preparar o caminho para uma possível visita; mas, se queria corrigir algum erro, o fez de maneira suave, e, ao mesmo tempo, de forma mais profunda e ampla; parece que nela o apóstolo “esmiuçou” aos romanos o que acabara de escrever para os gálatas.

Interessante é, também, destacar o fato de Paulo ter sido o evangelista da Galácia, mas, no entanto, não o de Roma. Ele não evangelizou a capital do império! Acredita-se que a igreja cristã romana tenha sido fundada por pessoas que haviam sido evangelizadas no Dia dosPentecostes, no ano 31, ou até mesmo por aqueles que passaram a ser perseguidos após a morte de Estêvão, no ano 34 – sendo que “Saulo” havia sido um dos mais ferozes perseguidores.

Bem, estamos abrindo mais um trimestre. Três meses para apreciarmos a Carta de Paulo aos Romanos. Um belíssimo Livro da Palavra de Deus! E a nossa proposta é, com a bênção de Deus, registrar aqui algumas das nossas considerações – esperando que os irmãos leitores expressem também os seus comentários, nos corrigindo e ampliando o devido conhecimento que será repassado para mais membros da querida Escola Sabatina.

(01/10) – Domingo – A Carta do apóstolo Paulo

Esta primeira Lição é muito “técnica”. Gosto de dizer que ela é fácil de estudar, porém, difícil de comentar. Sua base é: quem escreveu – para quem – quando – onde. Mas, já que foi dada uma semana para isso, vamos lá. Deus nos abençoará. Ele abrirá nossa mente para não ficarmos apenas nas questões geográficas ou biográficas.

Paulo foi convertido no ano 35. Como todo cristão nasce no Reino de Deus como um “missionário”, Paulo assumiu seu quinhão de imediato. Recebeu o talento e logo saiu a exercitá-lo. Viajou por muitos lugares, evangelizando e estabelecendo igrejas.

No final de sua terceira campanha missionária, ano 58, enquanto estava em Corinto, Paulo escreveu a Carta aos Romanos. Ou seja, com 23 anos de bagagem, o apóstolo fez suas considerações teológicas com os irmãos da igreja de Roma.

“Durante sua permanência em Corinto, Paulo achou tempo para projetar novos e mais vastos campos de trabalho. Sua projetada viagem a Roma ocupava especialmente seus pensamentos. Ver a fé cristã firmemente estabelecida no grande centro do mundo conhecido, era uma de suas mais caras esperanças e acalentados planos. Uma igreja já havia sido estabelecida em Roma, e o apóstolo desejava conseguir a cooperação dos crentes dali na obra a ser promovida na Itália e em outros países. A fim de preparar o caminho para os seus trabalhos entre esses irmãos, muitos dos quais lhe eram até então estranhos, enviou-lhes uma carta, anunciando seu intento de visitar Roma e sua esperança de plantar o estandarte da cruz na Espanha.

Em sua epístola aos romanos, Paulo expôs os grandes princípios do evangelho. Ele afirmava a sua posição nas questões que estavam agitando as igrejas judaicas e gentílicas, e mostrava que as esperanças e promessas que haviam pertencido antes aos judeus eram, agora, oferecidas também aos gentios.

Com grande clareza e poder, o apóstolo apresentava a doutrina da justificação pela fé em Cristo” (Atos dos Apóstolos, capítulo 35 – “A salvação para os judeus”).

(02/10) – Segunda – O desejo de Paulo de visitar Roma

Não foi Paulo quem evangelizou Roma, mas, através dos irmãos romanos, via a possibilidade de alcançar alguns territórios europeus, além da Itália. Pouco sabia, porém, que o Espírito Santo estava pensando além da Europa!

Paulo “esperava que outras igrejas também pudessem ser ajudadas pela instrução enviada aos cristãos de Roma; mas quão pouco podia ele prever o vasto alcance da influência de suas palavras! Através dos séculos, a grande verdade da justificação pela fé tem permanecido como poderoso farol a guiar os pecadores arrependidos ao caminho da vida. Foi essa luz que dissipou as trevas que envolviam a mente de Lutero e revelou-lhe o poder do sangue de Cristo para purificar do pecado. A mesma luz tem guiado à verdadeira fonte de perdão e de paz, milhares de seres sobrecarregados de pecado. Cada cristão tem motivos para agradecer a Deus pela Carta aos Romanos” (Atos dos Apóstolos, capítulo 35 – “A salvação para os judeus”).

(03/10) – Terça – Paulo em Roma

Uma reviravolta aconteceu na vida de Paulo. Findando a sua terceira viagem missionária (de 53 a 58), esteve por poucos meses em Corinto, de onde escreveu a Carta aos Romanos. Porém, na sequência, indo para Jerusalém, acabou sendo preso, e levado para Cesareia (de 58 a 60) e Roma (de 61 a 63).

Irmãos, teriam esses quatro ou cinco anos de prisão prejudicado o avanço do evangelho? Teria Paulo falhado, precipitando os acontecimentos? Ou será que, pela providência Divina, foi uma maneira de Paulo conseguir ficar frente a frente com dois governadores romanos (Félix e Festo), e com o rei da Judeia (Agripa), e com o imperador Nero?

Os irmãos sabiam que, além de testemunhar sobre Cristo para esses governantes, Paulo pregou para vários funcionários do palácio imperial, sendo que muitos entregaram o coração para o Senhor Jesus?

“Não pelos sermões de Paulo, mas pelas suas cadeias, foi a atenção da corte atraída para o cristianismo. Foi como um cativo que ele rompeu de tantas vidas as cadeias que as mantinham na escravidão do pecado. E não foi só isso. Declarou: ‘Muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a Palavra mais confiadamente, sem temor’ (Filipenses 1:14)” (Atos dos Apóstolos, capítulo 44 – “Os da casa de César”).

(04/10) – Quarta – Os “santos” em Roma

Voltando para Corinto, e para o ano 58, na introdução da Carta, consta que Paulo escreveu aos “amados de Deus, que estão em Roma, chamados para serem santos”. Disse ele, também, que “dava graças a Deus, mediante Jesus Cristo, no tocante a todos vós, porque, em todo o mundo, é proclamada a vossa fé” (Romanos 1:7 e 8).

Visando uma atividade missionária mais adiante, Paulo está se comunicando com membros compromissados com a Palavra de Deus – irmãos com quem contaria futuramente no evangelismo. E em seu comunicado, o apóstolo cumpre seu papel pastoral, usando palavras de apreço, palavras de reconhecimento. Longe de adular, Paulo deixa claro que reconhece a vida de fé que viviam.

Mais adiante, em Romanos 16:19, ele vai dizer: “A vossa obediência é conhecida por todos”.

“Deus não leva ninguém para o Céu, senão os que primeiramente se tornem santos neste mundo, mediante a graça de Cristo, àqueles nos quais Ele possa ver Cristo exemplificado. Quando o amor de Cristo é um princípio dominante no caráter, então saberemos que estamos escondidos com Cristo em Deus.

Somente estes que, pela oração, vigilância e amor, fazem o trabalho de Cristo, podem agradar a Deus com louvor. Quanto mais o Senhor vir o caráter de Seu amado Filho revelado em Seu povo, tanto maior será Sua satisfação e Seu deleite neles. Deus mesmo e os anjos celestiais se regozijam neles com louvor. O pecador que crê é declarado inocente, ao passo que sua culpa é posta sobre Cristo. A justiça de Cristo é creditada na conta do devedor, e defronte de seu nome, na folha do balancete, se encontra: Perdoado. Vida eterna”

(05/10) – Quinta – Os cristãos em Roma

O primeiro capítulo de Romanos tem 32 versos. Do verso 20 em diante, Paulo fala da vida depravada daqueles que são indesculpáveis diante de Deus. Em Gálatas 5, o apóstolo chama isso de “obras da carne”.

Antes, porém, de falar do modo como os mundanos vivem, Paulo fez uma importante menção sobre o modo de viver dos cristãos – que, também lá em Gálatas 5, é chamado de “fruto do Espírito”. Os cristãos em Roma viviam conforme a ordem do evangelho.

“Nossa santificação é o objetivo de Deus em todo o Seu trato conosco. Ele nos escolheu desde a eternidade para que fôssemos santos. Cristo a Si mesmo Se entregou para nossa redenção, para que por nossa fé em Seu poder para salvar do pecado pudéssemos tornar-nos completos nEle. Ao dar-nos Sua Palavra, Ele nos deu pão do Céu. Ele declara que se comermos Sua carne e bebermos Seu sangue, receberemos a vida eterna.

Por que não nos alongamos mais sobre isso? Por que não procuramos fazer com que seja compreendido com facilidade, visto que significa tanta coisa? Por que os cristãos não abrem os olhos para ver a obra que Deus requer que eles façam? Santificação é a obra progressiva de toda a vida. O Senhor declara: ‘Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação’. É vossa vontade que vossos desejos e inclinações sejam postos em conformidade com a vontade divina?

Como cristãos, comprometemo-nos a realizar e cumprir nossas responsabilidades e mostrar ao mundo que temos íntima ligação com Deus. Assim, por meio das piedosas palavras e obras de Seus discípulos, Cristo deve ser representado” (Mensagens Escolhidas, vol. 3, pág. 202).

(06/10) – Sexta – Conclusão.

“Nosso Salvador Se representa como um homem que empreendeu uma viagem a um país distante e que deixou sua casa a cargo de servos escolhidos, dando a cada um seu trabalho. Cada cristão tem alguma coisa a fazer no serviço de seu Mestre. Não devemos ir à cata de nossas próprias facilidades ou conveniências, mas fazer da edificação do reino de Cristo nossa primeira preocupação. Esforços abnegados para auxiliar e abençoar nossos semelhantes não apenas evidenciarão nosso amor por Jesus, mas nos manterão ligados a Ele em dependência e fé, e em contínuo crescimento na graça e no conhecimento da verdade.

Deus tem espalhado Seus filhos por várias comunidades, para que a luz da verdade possa brilhar em meio à escuridão moral que cobre a Terra. Quanto mais densa a escuridão ao nosso redor, maior a necessidade de nossa luz brilhar por Deus. Podemos ser colocados em circunstâncias difíceis e probantes, mas isso não significa que não estamos na exata posição que a Providência designou. […]

Qualquer um que confie integralmente na divina graça pode fazer de sua vida um constante testemunho da verdade. Ninguém está em situação tal que não possa ser um verdadeiro e fiel cristão. Conquanto grandes os obstáculos, todos os que estão determinados a obedecer a Deus encontrarão um caminho aberto para prosseguir” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 5, págs. 182 e 18

Lição da Escola Sabatina 2017 – Comentário feito por Carlos Bitencourt

Créditos: Blog Ligado na Videira – https://ligadonavideira.wordpress.com/category/ligado-na-videira-2/a-licao-da-semana/comentario-da-licao-da-escola-sabatina-a-licao-da-semana/