Comentários da Lição 11 (1o Trim/2018) por Pr Sérgio Monteiro e amigos

16 de março de 2018

As Dívidas: Uma decisão diária
Marcos Paiva Brito, casado com Elaine Cristina de Oliveira Brito. Bacharel em Teologia pela Unasp Campus 2, Engenheiro Coelho; Licenciado em Filosofia pela Fatep; Mestrando em Teologia Bíblica pela PUC-SP; Evangelista da Associação Paulista Leste

Rm 13,7-8
7-“Pagai a todos o que lhes é devido; a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra. 8-A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei”

No texto grego, a palavra pagar é o verbo apodote. Este verbo vem de apodidomi e significa “para longe da doação ou da dívida”, “quitar a dívida”, e apodote significa “cumprir”, “dar de volta”, “dar como retorno”, “algo pago ou restituído”, “pague” (imperativo), “pague de volta” (imperativo), “devolver a renda”, “dar como devolução”, “pagar” (fazer-se – fazer-se pagar), “reembolsar”, (Léxico do NT Grego/Português – F. Wilbur G. e Frederic W. D.)

Veja a pergunta feita a Jesus por alguns discípulos de fariseus juntamente com um grupo de herodianos, sobre o pagamento de tributo a César: “Dize-nos, pois: Qual é a tua opinião? É certo pagar tributo a César ou não? Mt 22,17.

Observe que o verbo “pagar” é o mesmo apodote, que também aparece nesse verso (É certo pagar…?). Os que fizeram a pergunta têm consciência do pagamento do tributo a César, não como doação nem como caridade, más como restituição ou devolução, ou como pagamento de uma dívida.

Uma pergunta astuciosa e estratégica como essa, que procura anestesiar a consciência de seu dever, é uma espada de dois gumes: quando dirigida à própria consciência pode ser um antibiótico para a resolução de uma consciência devedora, quando não, pode ser um mecanismo de defesa para não cumprir uma responsabilidade.

O verbo apodote implica em devolver algo que foi prestado. No caso do pagamento do tributo a César, a devolução poderia ser feita por livre e espontânea vontade, ou, como dizem alguns, por livre e espontânea pressão, pela força da lei.

Depois de mostrar a imagem de César na moeda, a resposta de Jesus atingiu os dois lados do pagamento devido: “…Dai (sentido de pagar) a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, Mc 12,17. Observe que na resposta de Jesus é usado também o verbo apodote, mas, você lembra o significado desse verbo? Pois bem, Jesus respondeu com sabedoria algo que eles já sabiam e à altura de suas consciências. A final de contas, dever a alguém não faz bem à consciência.

Não é mania de perseguição, mas em Romanos 13 o verbo apodote está ligado a autoridades também. De acordo com o texto, podemos dever impostos (plural), tributos (plural), respeito (singular), honra (singular) e amor (subjuntivo). Este último (amor) cumpre a lei.

A presença desses verbos (pagar, dever, amar e cumprir), podem se tornar vizinhos de nossa consciência, e abrir um círculo vicioso em nós. Pagamos porque devemos. Devemos porque emprestamos. Emprestamos porque precisamos. Precisamos por alguma questão financeira ou por algum motivo particular. Mas será que cumprimos e amamos?

Fazer um empréstimo significa “usar com permissão alguma coisa que pertence a outro”. Contudo, a permissão traz consigo um risco e uma responsabilidade. O que é um risco? Comente com a sua classe. O que significa a palavra responsabilidade?

Responsabilidade é uma palavra composta: Resposta + habilidade = habilidade de resposta. Quem faz algum empréstimo, deve ter a habilidade em responder a altura o empréstimo que está sendo feito. Do contrário, a consciência se sentirá incapaz na hora de devolver o empréstimo. Essa incapacidade resulta em um desespero provocado por uma inabilidade e por uma falta de resposta, nesse caso, por uma resposta que fora ignorada ou que não fora consultada antes. Por isso, diz-se de alguém que não cumpre o que lhe é devido: essa pessoa é irresponsável.

Antes de escrever este comentário, minha consciência verificou se havia habilidade em responder ao pastor e amigo Sérgio Monteiro o pedido para comentar a lição da escola sabatina número 11. Como me sentirei se não for bem recebido este comentário? Exatamente isso, irresponsável. Pois poderia haver dito ao caro amigo, que não possuía habilidade suficiente para responder a altura do seu pedido.

O que minha consciência verifica antes de fazer um empréstimo? Bom, pelo menos deveria de consultar o básico: vou conseguir devolver? Terei recursos suficientes para pagar o empréstimo que irei fazer? O que minha consciência verificará no momento de dar uma resposta, ou seja, no momento de pagar o que é devido?

Já parou pra pensar, o que teria acontecido com aquele que estava com o profeta Eliseu, se Eliseu não estivesse com ele, quando o machado caiu na água? Em 2 Rs 6,5, o desespero do homem indica que ele não tinha outro machado para devolver àquele que ele tomou emprestado. Por isso, o sussurro desesperado: “Ah, senhor, era emprestado!”

Não havia habilidade de resposta da parte deste homem que tomou emprestado o machado. Se Eliseu não estivesse lá, o homem teria que devolver o machado. Se você emprestou “um machado” de alguém, lembre-se: você deve devolvê-lo. Se não tem resposta a altura, possa ser que Deus mande um profeta como Eliseu para te fazer “flutuar” de uma dívida que você fez. Mas se você não possui um machado, não empreste um machado de alguém. Só faça empréstimo de alguma coisa que você tem para devolver. Isso é responsabilidade.

Pense comigo na possibilidade de exercitarmos a responsabilidade, observando os verbos no futuro.
• Se você não terá um machado para devolver, não tome um machado emprestado;
• Se você não terá um carro para devolver, não tome um carro emprestado;
• Se você não terá um terno para devolver, não tome um terno emprestado;
• Se você não terá um vestido para devolver, não tome um vestido emprestado;
• Se você não terá um livro para devolver, não tome um livro emprestado;
• Se você não terá uma casa na praia para devolver não tome emprestado uma casa na praia para uma temporada (parece que peguei pesado, não é mesmo?);
• Se você não terá R$ 2.000,00 para devolver, não tome R$ 2.000,00 emprestado;
• Não faça empréstimo que você não possa devolver, do contrário, isso seria irresponsabilidade de sua parte.
• Não tenha apenas a intenção de devolver o empréstimo, verifique antes se você tem para devolver esse empréstimo.

Não adquira o hábito de pedir alguma coisa emprestada. Se você tomou emprestado sabendo que tinha como devolver, então devolva o mais rápido possível. Tenha responsabilidade antes de fazer algum empréstimo. Pois a dívida influencia diretamente o seu futuro. Apesar de não ser algo imoral, as dívidas debilitam a vida espiritual. Se fez empréstimo, controle a sua mente, e foque naquilo que é de longo prazo e de curto prazo, sempre com responsabilidade (habilidade de resposta). Não caia na armadilha de soluções rápidas se você não as tem. Se for rico concentre-se em conservar a sua vida e não suas riquezas, e não seja um pobre concentrado em conservar sua pobreza, trabalhe e sempre trabalhe.

O que fazer para pagar as dívidas? Primeira coisa, não faça dívidas. Se já fez, eis alguns conselhos de pessoas que já pagaram dívidas altíssimas:

1- Liste todas as suas dívidas, e pague uma por uma, da menor para a maior, ou vice-versa, você escolhe. Alguns preferem da menor para a maior. Exemplo:
• Casa (800 reais)
• Carro (700 reais)
• Cartão de crédito (550 reais)
• Cheque especial (500 reais)
• Médico (250 reais)
• Vizinho (100 reais)
• Escola (350 reais)
Obviamente que se for pagar primeiro a dívida menor, você começará a pagar primeiro ao seu vizinho, até quitar a maior. Se for pagar a maior, você pagará primeiro a casa, e por último ao seu vizinho.

2- Pague todas as dívidas;

3- Bole uma estratégia para pagar as dívidas;

4- Negocie as suas dívidas;

5- Xaveque as suas dívidas;

6- Anote tudo o que gasta;

7- Quando comprar, compre com estratégia, isto é, compre como se não tivesse dinheiro;

8- Se você ganha 5000,00 reais por mês e gasta 5000,00 reais, você está concentrado no que você ganha, e não naquilo que você pode manter;

9- Economize o máximo: tenha uma garrafa d’agua particular; não use produtos de uso específico (aqueles que você sabe que durará pouco tempo); verifique seu plano de internet e seu uso real; verifique se você faz uso de produtos e serviços que você paga mensalidade; não use garantias estendidas; veja se você faz realmente uso de um telefone fixo, etc.

10- Invista uma porcentagem (15%) do seu salário em uma forma de aposentadoria (previdência privada ou tesouro direto);

11- Reserve um dinheiro para seus filhos (faculdade);

12- Construa e doe muito. “Atire o seu pão sobre as águas, e depois de muitos dias você tornará a encontrá-lo. Reparta o que você tem com sete, até mesmo com oito, pois você não sabe que desgraça poderá cair sobre a terra.”, Ec 11,1-2;

13- Não faça empréstimos. “Termine primeiro o seu trabalho a céu aberto; deixe pronta a sua lavoura. Depois constitua família.”, Pv 24,47;

Observe agora alguns conselhos de Deus para não fazer empréstimos ou para não ficar devendo a ninguém:

“É melhor não fazer votos do que fazer e não cumprir”, Ec 5,5;

“Eles emprestarão dinheiro a vocês, mas vocês não emprestarão a eles. Eles serão a cabeça, e vocês serão a cauda. Todas essas maldições cairão sobre vocês. Elas os perseguirão e os alcançarão até que sejam destruídos, porque não obedeceram ao Senhor, o seu Deus, nem guardaram os mandamentos e decretos que ele deu a vocês.”, Dt 28,44-45;

“Os ímpios tomam emprestado e não devolvem, más os justos dão com generosidade”, Sl 37,21;

“O inexperiente acredita em qualquer coisa, mas o homem prudente vê bem onde pisa.”, Pv 14,15;

“O homem sem juízo com um aperto de mãos se compromete e se torna fiador do seu próximo”, Pv 17,18;

“Não seja como aqueles que, com um aperto de mãos, empenham-se com outros e se tornam fiadores de dívidas”, Pv 22,26;

“O rico domina sobre o pobre; quem toma emprestado é escravo de quem empresta.”, Pv 22,7;

“Na casa do sábio há comida e azeite armazenados, mas o tolo devora tudo o que pode.”, Pv 21,20.

Apesar das dívidas, é sempre bom lembrar que Deus provê mesmo no deserto (Ex 16,1-36. Deus multiplica e satisfaz (Mt 14,13-21). Deus está no controle da sua vida e Ele o ama muito. Siga as dicas de quitação de dívida, mas confie sempre nas provisões de Deus para a sua vida. Se possível, por amor a você, ele tirará água da rocha para saciar a sua sede, e abrirá o mar vermelho para que você passe a pé enxuto. Acredite que Ele pode fazer você “flutuar” de suas dívidas e lhe dar o descanso necessário. Não seja imprudente, seja responsável. Veja antes, para que não se arrependa depois.