Comentários da Lição 12 (1o Trim/2018) por Pr Sérgio Monteiro e amigos

23 de março de 2018

Lição 12 – Hábitos de um Mordomo

Leandro Quadros, Pós-graduado em Jornalismo Científico e Mestre em Teologia. Apresentador do Na Mira da Verdade.

Vamos trocar o título da lição dessa semana por “Hábitos de um Gestor”. Mordomia equivale a administrar os recursos que Deus nos deu, de modo que precisamos ser bons gestores de tudo aquilo que o Criador colocou sobre nossa responsabilidade.

Enquanto os dons espirituais são dados pelo Espírito Santo (1Co 12:11) sem a obrigatoriedade de o cristão possuir todos eles (1Co 12:29-31), com as habilidades de administração da vida cristã é diferente. Todos os cristãos são chamados a serem gestores dos recursos (tempo, corpo, talentos, dinheiro, etc.) que Deus deu (ver Gênesis 1:26 e 28) e terão de dar contas daquilo que fizeram com tais recursos.

O Gestor Cristão precisa ao longo de sua jornada desenvolver certos hábitos se quiser ser um gestor de sucesso aos olhos do Chefe Supremo – Deus. Entretanto, assim como qualquer outro hábito, precisamos de tempo, trabalho, paciência e da ajuda do Espírito Santo para desenvolvê-los. Isso está intimamente ligado à nossa santificação, sem a qual “ninguém verá o Senhor” (Hb 12:14). A santificação é uma escola de Cristo na qual nunca nos graduaremos nessa vida (cf. 1Co 13:12; Fp 3:20-21; 1Co 15), pois sempre teremos que melhorar em algo.

Alguns dos principais hábitos que o gestor cristão precisa desenvolver ao longo de toda sua vida são:

1) O Hábito de Colocar a Deus em Primeiro Lugar: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33). Amar e priorizar a Deus é o primeiro grande mandamento dado por Cristo (Mt 22:36-38) e, por isso, pecamos quando deixamos o Criador em 2o plano, ainda mais que através da encarnação de Cristo Ele nos colocou em 1o plano! (cf. Jo 1:14; 3:16; Rm 5:7-8).

2) O Hábito de Estudar a Bíblia e Colocar em Prática Seus Ensinos: “Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” (At 17:11). “Bem-aventurados os irrepreensíveis no seu caminho, que andam na lei do SENHOR. Bem-aventurados os que guardam as suas prescrições e o buscam de todo o coração; não praticam iniquidade e andam nos seus caminhos […] De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a tua palavra” (Sl 119:1-3, 9).

Isso está vinculado ao primeiro hábito: colocar a Deus em primeiro lugar. Estudar significa ler e refletir sobre aquilo que está lendo. É muito mais do que uma simples leitura devocional do texto bíblico.

O cristão precisa levar isso muito a sério porque “A Palavra de Deus é chamada ‘a espada do Espírito’, (Efés. 6:17) e deveis tornar-vos hábeis em seu manuseio, a fim de abrir caminho através do exército da oposição e das trevas” (Ellen G. White, Fundamentos da Educação Cristã, p. 125). Além disso, “só a verdade e a religião da Bíblia resistirão à prova do juízo” (Ibid., p. 127).

3) O Hábito de Orar: “Naqueles dias, retirou-se para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus” (Lc 6:12). “À tarde, pela manhã e ao meio-dia, farei as minhas queixas e lamentarei; e ele ouvirá a minha voz” (Sl 55:17).

Também associado aos dois itens anteriores, a oração, que é a “respiração da alma”, precisa ser de qualidade (Lc 6:12; Dn 6:10), constante (1Ts 5:17), perseverante (Rm 12:12) e cheia de fé (Tg 5:13-18). Devemos evitar as “frases vazias” (Mt 6:7a, Nova Versão Transformadora) sem sentido e que “enjoam” a Deus.

4) O Hábito de Frequentar a Igreja: “Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los e, por três sábados, arrazoou com eles acerca das Escrituras (At 17:2). Esse hábito faz parte do preparo do cristão para a 2a vinda de Cristo, de modo que se você ouviu alguém dizer que “não precisamos de igreja”, tal pessoa pode estar sendo usada por Satanás para colocar em risco seu crescimento espiritual: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hb 10:25).

5) O Hábito de Aguardar o Retorno de Cristo: Cristo precisa encontrar-lhe querendo e preparando-se por Sua vinda (Mt 24:22, 44), para que você possa ir para o Céu com Ele. Afinal, Ele salva amigos que o amam e esperam, não inimigos: “aparecerá segunda vez, não para tirar o pecado, mas para trazer salvação aos que o aguardam” (Hb 9:28, Nova Versão Internacional)

Defina metas e faça planos para crescer como se Cristo voltasse daqui a 50 anos. Mas nutra uma amizade íntima com Ele como se o Salvador voltasse amanhã. É mantendo a boa expectativa da 2a vinda de Cristo que podemos nos preparar como bons gestores cristãos.

6) O Hábito de Usar o Tempo com Sabedoria: De acordo com Tiago 4:14, nossa vida nesse mundo manchado pelo pecado é “como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa”. Desse modo, cada segundo é precioso aos olhos de Deus e devemos, com Sua ajuda, aprender a administrar o tempo de maneira sábia, para que cuidemos de todos os aspectos de nosso ser: o físico, o mental, o espiritual o social.

No livro Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, Stephen R. Covey sugere que administremos nossa vida tendo em consideração nossos papeis. Por exemplo: se você tem o papel de pai, marido, funcionário, cristão, amigo, filho, neto, etc., precisa administrar seu tempo para que cumpra eficazmente todos os seus papeis nessa vida, sem negligenciar alguns que são até mesmo mais importantes que outros.

Uma vida equilibrada, na qual cuidamos do nosso “eu” e de nossa espiritualidade, revela em que nível estamos em nossa mordomia cristã.

7) O Hábito de Cuidar da Mente, do Corpo e do Espírito
As curas que Jesus realizava tinham o propósito de aliviar o sofrimento, mas isso não era um fim em si mesmo. De forma didática, por meio dos milagres Ele ensinava o que Deus deseja fazer de forma plena com todas as criaturas do planeta após a volta de Jesus.

Porém, antes de sermos restaurados plenamente na 2a vinda de Cristo através do acesso que teremos à árvore da vida (Ap 22:2) na Nova Jerusalém (Ap 21:1-5), precisamos com a ajuda do Espírito trabalhar por nossa restauração já no presente, cuidando de nosso corpo e de nossa mente.

Considerando que 90% de nossas doenças são psicossomáticas (veja Ellen G. White, Mente, Caráter e Personalidade, vol. 1, p. 59), precisamos dar atenção especial às nossas emoções e aprender a administrá-las. Se você, leitor, estiver doentes emocionalmente, precisa se tratar com boa psicoterapia antes que novas doenças surjam e encurtem sua existência.

A Bíblia é o livro mais importante para dar paz e vigor à mente, e já apresentava princípios da psicologia antes dela sonhar em existir como ciência (Augusto Cury afirma isso em relação à Mateus 6:25-34, onde Cristo faz Psicologia Preventiva). Um deles se encontra em Provérbios 14:30, escrito entre 970 e 930 a.C.: “O coração em paz dá vida ao corpo, mas a inveja apodrece os ossos”.

Além de usar a Bíblia como principal fonte de saúde mental, o cristão precisa se livrar de crenças limitantes que vieram da infância e desenvolver sua inteligência emocional, para que aprenda a lidar consigo mesmo e com os outros.

Obviamente, desenvolver o QI (Quoeficiente de Inteligência) é importante mas, acima disso, é necessário trabalhar o QE (Quoeficiente Emocional), para que possa ter verdadeiro sucesso em suas relações interpessoais e em sua vida cristã e profissional.

Para começar esse processo, sugiro a leitura da obra Inteligência Emocional: A Teoria Revolucionária Que Define o que é Ser Inteligente (Rio de Janeiro: Objetiva, 2012), de Daniel Goleman.

8) O Hábito da Moderação ou do Autocontrole: “Pois Deus não nos deu um Espírito que produz temor e covardia, mas sim que nos dá poder, amor e autocontrole” (2Tm 1:7, Nova Versão Transformadora).

Por mais que devamos aprender a ter autocontrole fazendo uso dos recursos que Deus deu através da psicologia, o maior autocontrole que podemos obter para lutar contra o “eu” e o pecado vem diretamente do Espírito Santo (Gl 5:23). Precisamos de um poder sobrenatural fora e acima de nós para sermos vitoriosos, pois sem Cristo não podemos “fazer coisa alguma (Jo 15:5, Nova Versão Transformadora).

Fazendo uso do poder divino, assim como o apóstolo Paulo, podemos (e devemos) ao longo da vida nos disciplinarmos para termos autocontrole (1Co 9:27). E quando cairmos, devemos exercer fé no sacrifício substitutivo de Cristo e em Sua intercessão amorosa (1Jo 2:1-2) no Santuário Celestial (Hb 8:1-2), para que sintamos plenamente Seu perdão (Mq 7:19; 1Jo 1:9).

Considerações finais

O Gestor (ou Mordomo) Cristão precisa desenvolver hábitos espirituais saudáveis ao longo de sua vida, para que possa estar preparado para se encontrar com o Chefe Supremo (Cristo) quando Ele voltar.

Esses hábitos são desenvolvidos durante toda a existência, e nunca chegará um momento antes da glorificação que você poderá dizer: “desenvolvi todos esses hábitos plenamente e os uso em 100% do meu tempo”.

Portanto, precisamos trabalhar arduamente com a força que vem do Espírito para desenvolvermos nossa santidade sem nos iludirmos. Apenas sendo realistas com nossa atual condição pecaminosa é que podemos sentir a necessidade da força divina para nos tornarmos pessoas melhores e adotarmos um estilo de vida que nos faça mais felizes e nos prepare para a eternidade.