Comentários da Lição 13 (1o Trim/2018) por Pr Sérgio Monteiro e amigos

31 de março de 2018

Resultados da Mordomia

Sérgio Monteiro, Mestre em Teologia Bíblica pelo SALT,  Doutorando em Línguas Semitas.

Findamos hoje um ciclo de estudos em nossa Escola Sabatina. Esta foi uma lição prática, cujo coneúdo pode não haver sido facilmente entendido ou apreciado por muitos.  Seguramente, o primeiro pensamento de alguns foi que o assunto envolveria dízimos e ofertas e ficaríamos exemplificando e dialogando por 13 sábados sobre estes temas. Certamente não foi assim.

Mordomia cristã é muito mais do que apenas dinheiro e bens. Isto é teologia da prosperidade. Mordomia cristão não lida  apenas com o que entregamos a D-us, mas principalmente com o que fazemos com o que D-us nos provê. O que fazemos com o tempo? Com os relacionamentos?  Com as oportunidades? Com os bens? Mas acima disto, o que fazemos com a Salvação, tão cara e preciosa ao olhes Dele? E, sobretudo, o que fazemos com Ele?

Sim, de fato, a última pergunta e a principal tem a ver com o que fazemos com Ele. Não com o que Ele nos dá, mas como Sua própria Pessoa e existência como Senhor de nossa vida, como proposta única de caminho. É evidente que quaisquer que sejam as respostas às perguntas anteriores,  a resposta subjacente será o nosso tipo de relação com Ele e sua proposta de Aliança conosco. Se usarmos corretamente o tempo, isto certamente incluirá tempo para Ele. Se nos relacionamos corretamente e de forma amorosa com o próximo, reconhecemos no próximo alguém por quem Ele também Se entregou.  Em suma, ações de mordomia devem demonstrar um relacionamento com D-us e deste relacionamento fluir.

Entender esta dimensão é extremamente importante, porque nos permite escapara de alguns laços. Primeiro, atos de mordomia não salvam. Pode chocar alguns, mas é verdade. Não importa quantos atos de “justiça” você faça sua salvação não está neles.  Não importa qual o tamanho de seu dízimo, nem seu valor ou frequência, sua salvação não está neles, nem D-us avalia por eles. Não importam os sons das moedas caindo nas salvas, elas não chamam a atenção de D-us. As doações a instituições de caridade ou beneficência social não fazem o Céu parar e te contemplar!  Não adianta você guardar tempo para D-us, no intuito de lembrar D-us que Ele deve te salvar. Nada, absolutamente nada te fará ser salvo ou melhor diante dEle, simplesmente porque não são seus atos que te dignificam, mas o Ato Supremo Dele na Cruz do Calvário. E este já foi completado.

Mas, se a origem de cada um destes atos é um profundo senso de agradecimento, aliado a uma sensação confortante de dependência da Graça e do Amor de D-us, fluindo a partir do estreitamento da relação com o Eterno, transbordando em ações e atos, então cada um deles produz resultados. Não resultados na relação de D-us contigo, mas na sua com Ele e com o mundo. Um dos efeitos práticos desta proximidade é a compreensão cada vez maior da Vontade de D-us em sua vida. Não que magicamente você possa, agora, saber de forma plena e visível o que D-us quer, mas a voz do Esp-rito se torna cada vez mais audível e contumaz, tornando mais perceptível o que Ele quer de você, para você e por você.

Outro efeito prático é que o mundo começa a ver em você algo diferente, sem que você o declare e nem mesmo perceba. Esta transformação se torna visível a partir de dentro.  É como se uma nova pessoa nascesse. Não será preciso dizer que faz algo, nem chamar atenção para suas ações, porque a ação será pequena perto da motivação da ação e pela beleza da novidade que o mundo verá em você. O brilho não será seu, mas de D-us, exatamente como ocorreu com Moisés. Quando ele desceu do monte, não disse a ninguém que tinha a face brilhante. Eles perceberam.   Quem declara muito a respeito de si mesmo, pouco fala a respeito de D-us.

E este falar de D-us, sem palavras, é um dos principais resultados da Mordomia verdadeira. Atos de caridade buscando justificação própria não falam de D-us. Mesmo cumprir as leis divinas, biscando justificação própria não falam de D-us. Um dos motos do Evangelho é que “sem Mim nada podeis fazer” (João 15:5). Em outras palavras, se você faz algo e Cr-sto não é o Motivador, Ajudador e Centro do que você está fazendo, então você não fez nada, não importa quão bom isto seja socialmente, religiosamente, ou aos teus próprios olhos. Novamente, isto pode ser chocante para a sociedade moderna, acostumada a laudar como exemplos a serem seguidos homens que fizeram “boas” coisas.

Ora, se nada pode ser feito sem Cr-sto, o bom que estes modelos produziram é tudo, menos algo efetivamente bom! Porque o “bom” verdadeiro, produz aproximação com D-us e luz salvífica, porque, assim como a Lei, nós mesmos devemos ter como “finalidade” Cr-sto, para justificação daqueles que creem (Romanos 10:4).  Não somos o foco, nem o centro. Nossas atitudades devem transcender o simples ser “agradável” para o ser “bom” de maneira mais sublime e elevada, que é produzindo uma aproximação dos que nos cercam com Quem é BOM: D-us!

É então que o objetivo final e verdadeiro da mordomia se cumpre: testemunhar de uma realidade superior, de um mundo melhor, de uma pátria eterna com valores imutáveis e indeléveis. Nossa mordomia deve, por isto, ser o resultado de havermos sentido,  experienciado, saboreado esta realidade maior. Deve ser fruto de horas ganhas na presença de D-us, usufruindo de Seu amor, de Sua mordomia perfeita e de Sua sabedoria.

Conta-se que em uma noite como a de hoje, Pessach (Páscoa), cinco grandes rabinos se reuniram para lembrar-se dos acontecimentos do Êxodo. Tanto se envolveram no estudo e se reencantaram com os relatos da maravilhosa libertação que o Eterno operou no Egito, que somente perceberam a noite passar quando um discípulo veio lhes avisar que já era hora da oração matutina.  

Eles não fizeram isto por obrigação ou mero formalismo, mas pela alegria de recontar a si mesmos e a outros o que o Eterno fizera aos antepassados milhares de anos antes. Dedicaram seu tempo, seus esforços mentais e suas forças para contemplar parcamente o Amor que Ele demonstrou. Sua devoção não foi o resultado de um manual de Igreja, mas do manual do céu. E isto é mordomia. Uma mordomia que  faz o céu parar! Que fazer o mundo parar! O mundo para ouvir os gritos de seu testemunho silencioso e o céu para aplaudir o seu viver em D-us, para que D-us via em você e o mundo vindouro seja uma realidade no presente!