Comentários da Lição 2 (1o Trim/2018) por Pr Sérgio Monteiro e amigos

12 de Janeiro de 2018

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Ver, desejar e Pegar

Sérgio Monteiro, Mestre em Teologia Bíblica pelo SALT,  Doutorando em Línguas Semitas.

O Midrash (conjunto de histórias da tradição judaica ) de Gênesis, chamado Bereshit Raba’, comentando a queda em Gênesis 3, apresenta uma história segundo a qual Eva não apenas contemplou a árvore do conhecimento, mas também nela tocou, pois foi empurrada pela serpente, que percebeu seu desejo de tocá-la, quando Eva incluiu palavras que não estavam na ordem divina (Bereshit Raba 19:3).

Desejar, ver e tocar. Este tem sido o meio que Satanás se utiliza desde o primeiro pecado.  Ele é especialista em impressionar  do coração humano desejos por coisas que ele mesmo criou. Ele cria mecanismos externos que agradam aos olhos,  são suaves ao ouvido e incitam nossa imaginação, aguçando a vontade, o desejo. Atrapados pela sua armadilha, ele nos empurra para a árvore de nosso desejo, fazendo-nos colocar de lado os princípios do Reino.

O resultado de haver tocado a árvore e não morrido, foi que Eva se tornou mais ousada e permitiu que a dúvida sobre a proibição divina de comer fosse posta de lado, junto com a certeza que o tocar nada trouxe de conseqüências.  D-us não a havia proibido de tocar a árvore e foi sua própria ideia do que D-us ordenara e de D-us mesmo que fez com que ela abrisse o caminho para o pecado em si.

Lúcifer se aproveita das oportunidades. O ser humano lhe dá várias. Mesmo no campo religioso. Ao querer que D-us pense como pensamos, ou dizer o que D-us não disse, damos ao inimigo uma oportunidade de nos impelir a fazer o que D-us disse para não fazermos.

É fato que D-us quer nossa felicidade (Salmo 1:1, 23; Mat. 5). Mas esta felicidade é obtida através da comunhão com Ele e manter a visão centrada naquilo que Ele nos provê e nos dá. E na certeza de que Ele nada deixará de prover.  Suas bênçãos são infinitamente maiores do que qualquer coisa que possa ser oferecida por Satan. Mas precisamos deixa claro que D-us NÃO é obrigado a fazer absolutamente nada por nós!

Hoje é muito comum se pregar o que denomino “materialismo evangélico”. Este é o conceito por trás de idéias como a Teologia da Prosperidade, segundo e terceiro dízimos, campanhas televisivas acintosas de ofertas, cuja única ênfase está no dinheiro e em uma suposta obrigação de D-us em abençoar quando o ser humano oferta, dizima, não apenas o que lhe é possível, mas muito além das possibilidades.

Usam-se textos bíblicos de forma irresponsável. Malaquias 3:10 é retirado de seu contexto. Êxo. 25:1 é lido apenas parcialmente deixando de lado o essencial do ofertar que é ter o coração movido e o subir até o trono de D-us, para partilhar da comunhão com D-us e não para exigir bênçãos matérias de D-us.  As ordenanças quanto ao dízimo, tanto o primeiro, quanto o segundo e terceiro, são forçadas ocultando o fato de que o segundo dízimo, no segundo ano do ciclo  de sete anos,  era DO OFERTANTE, para ser comido em Jerusalém, em uma demonstração de agradecimento a D-us pelas bênçãos fartas que Ele entregava. Já o dízimo do terceiro ano era uma provisão feita por D-us para permitir que os que não puderam entregar o dízimo anual o fizessem. Era a última oportunidade dada no ciclo.  Todas simbolizavam atos de agradecimento pela bênçãos dadas e JAMAIS ofertas de compra para a divindade.

Esta teologia materialista é como a árvore do conhecimento do bem e do mal e a artimanha satânica ali utilizada se repete.  A árvore (bênçãos divinas) é agradável à vista. Quem não quer receber bênçãos dos céus, ser despenseiro das infinitas provisões divinas, receber riquezas que advém do Eterno?   Satanás apresenta a Palavra de D-us, de forma deturpada, buscando atrair nossa atenção e focá-la na árvore, nas “bênçãos”, no comer do que D-us não permitiu no tocar o que D-us não nos deu.

Igualmente, esta teologia (que não é teologia) é egoística e egocêntrica. E não poderia deixar de ser. Ela é materialista, e por isto não pode focar em D-us, porque o materialismo é ateu.  Paulo, em 1. Cor. 8, ao contrário, mostra que a maior benção que pode haver é compartilhar. A teologia paulina da fartura e abundância está baseada na disposição e vontade divinas e no reconhecimento humano de que as bênçãos não foram compradas de D-us por mim, mas são distribuídas conforme Sua Graça, para serem compartilhadas.  Não é uma Teologia que foca na árvore ou ouve a serpente.

A teologia Bíblica da benção está intrinsecamente relacionada com a teologia da aliança. D-us promete bênçãos para os que com Ele entram em aliança e permanecem fiéis a esta aliança (Lev. 26ss; Deut. 28ss).  Não deixa de ser intrigante que em Lev. 26:11 a maior benção de D-us àqueles que são fiéis não é a fartura, mas o Seu tabernáculo, no qual Ele habitaria no meio deles. Ocorre que o tabernáculo já estava feito, pronto. Ou seja, a realização da promessa veio antes da declaração da promessa!  Isto indica que D-us quer abençoar, Seu desejo é abençoar, e Sua promessa é INDEPENDENTE  do que você possa dar em troca. Ele o faz por Sua Graça. A fidelidade é o meio pelo qual o você USUFRUI da promessa já realizada!

Não tente barganhar com D-us, através de posses que você tenha, Ele não precisa. Aprenda a partilhar das bênçãos que Ele te entregou, sendo responsável como administrador destas. Não mantenha egoisticamente o que deve ser compartilhado, faça como as igrejas da galácia, seja alegre no compartilhar.

Não fique olhando para a árvore, não converse com o marqueteiro da perdição.  Preste atenção nas outras árvores e ouça o Dono do Jardim. Não deseje para si o que é de outrem. Não queira ser o dono do jardim.  Não dê ouvidos ao tentador, nem participe de sua louca rebelião.  Mantenha os olhos, os desejos e o foco na Cruz, por trás da qual você pode contemplar a morada Eterna de Jerusalém e Nosso Senhor que morreu naquela cruz, de braços abertos te convidando a viver naquela cidade que suplanta tudo que aqui pode ter sido oferecido.

VEJA J-sus, DESEJE  O Esp-rito Santo, PEGUE, TOME abundantemente da  Graça de D-us o Pai e viva eternamente.