Comentários da Lição 4 (4o Trim/2017) por Membros da Classe do EJC

27 de outubro de 2017

licao-2017-4Justificação pela Fé

 

A justificação pela fé é tão central para o cristianismo, que nem todas as linhas escritas seriam suficientes para traduzir sua importância. Comentaremos nas poucas próximas linhas, Romanos 3:19-28, uma das mais preciosas passagens dessa epístola, e será o guia da semana.

Na lição da semana passada, nos concentramos no problema da humanidade. É extremamente importante que tenhamos noção desse problema, que saibamos a natureza da nossa condição, para entender, ou imaginar, tão grande solução encontrada na justificação pela fé. Alguns pontos precisam ser lembrados e ressaltados, entre eles: a universalidade do pecado; a hereditariedade do pecado e a consequência do pecado. A salvação só pode ser estudada, na medida em que a exposição e entendimento do problema do pecado acontece. Feito isso, sabemos que a solução deste problema, que está confundido com nossa própria natureza, só pode vir de fora.

A universalidade do pecado, descrita em Romanos 3:9-10, está intimamente ligada ao verso 19.

 

Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma, pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.

Romanos 3:9,10

Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus.

Romanos 3:19

 

Fica clara a determinação do apóstolo, em afirmar o papel da lei. Não porque haja algum problema com ela, mas porque simplesmente não foi dada com esta finalidade. Como dissemos, a solução deve vir de fora, não do nosso esforço em sermos justos. É importante ressaltarmos a questão do esvaziamento do papel da lei na questão da solução do problema, pois nos versos seguintes, percebemos o desenvolvimento da relação pecado/lei, solução/justiça.

Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas; Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há distinção.

Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;

Romanos 3:21-23

 

            Em situações difíceis procuramos sempre as melhores respostas. Mas, para que as consigamos antes, precisamos formular as melhores, ou as mais certas perguntas. Neste caso, algumas boas perguntas podem ser feitas. Lendo o último verso: Como a justiça que salva se tornou disponível ao ser humanos? Pois, se eu sou pecador, e minha natureza está confundida com o pecado, como a justiça, que naturalmente por ser justa deve me condenar a morte eterna, pode me salvar? Pois bem, essa justiça – a que salva, se tornou disponível a nós; se manifestou a nós, sem a lei. Apesar de se manifestar sem a lei, teve como testemunha a lei e os profetas – referência de Paulo as Escritura, o nosso Antigo Testamento. Ou seja, a justiça salvadora de Deus já era conhecida desde o Antigo Testamento, em outras palavras, a Bíblia em sua totalidade defende a ideia de que a solução para o problema do pecado é manifestada sem a lei.

A disponibilidade desta justiça, segundo o versículo 22, é encontrada em Cristo Jesus. O ser humano é pecador, não há nada que ele possa fazer para apresentar justiça diante de Deus. Essa justiça que não temos, mas é necessária a salvação, é oferecida gratuitamente por Deus, através de Jesus. A mesma justiça que se manifesta por intermédio de Cristo, só pode ser aceita pela fé. Qual o sentido da fé neste caso? A fé é o único meio de recebermos ou aceitarmos algo que vem de fora. É tão somente a crença de que nos tornamos receptores da justiça oferecida, é a nossa parte no espetáculo da salvação.

 

            Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.

Romanos 3:24

 

Após a declaração de que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (v.23), Paulo nos posiciona a favor da solução. A redenção está numa terceira pessoa, que não o pecador. Redenção é o ato que significa libertação, reabilitação, reparo, salvação. É o ato de adquirir de novo, de resgatar, de tirar do poder alheio, do cativeiro. É uma metáfora da salvação, sobre o pagamento de um preço, o preço de um escravo. É a solução para o problema do pecado. Não há, definitivamente, na perspectiva bíblica outro meio pelo qual este problema será resolvido. Não há outro meio ou pessoa, senão Cristo.

Outra característica mencionada pelo apóstolo é a gratuidade da graça. Parece repetitivo e redundante, mas não é. O reforço está na obviedade da expressão: nossa justificação está em Cristo, em Sua graça. Se nós pudéssemos comprar, a solução não estaria nEle, mas em nós.

 

Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;

Romanos 3:25

 

            Aqui está uma segunda ilustração sobre o remédio encontrado em Cristo para nossa doença que é o pecado. A propiciação é o ato de aplacar uma ira, apaziguar, resolver a ira de Deus. Pois Deus não aceita o pecado, se ira contra ele. Logo, quando Cristo se faz pecado por nós, Ele se torna o receptáculo dessa ira, o alvo, com o objetivo de satisfaze-la.

A questão da justiça volta a aparecer nos versículos 25 e 26, mas agora de uma maneira diferente. Primeiramente, a justiça foi utilizada como um apontamento da graça. Ou seja, entre o 21 e 23, a justiça significa a salvação gratuita de Deus, uma justiça salvadora. Já nos 25 e 26, ela aparece como um atributo de Deus. Nos dias de Jesus ela foi mostrada, demonstrada.

 

Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.

Romanos 3:26

 

Os pecados dantes cometidos (25), foram propiciados nos dias de Jesus, que se tornou justo e justificador. Os pecados anteriores, que não tinham sido satisfeitos em Cristos, estavam sob a paciência de Deus, que é outro atributo. É como se aqueles pecados, que não estavam satisfeitos, continuassem impunes. Como pode um Deus justo, manter o pecado impune? Já que não existe outra forma de se pagar o pecado além da morte, já que não existe outra forma de justificar o homem senão pelo Justo, por Cristo, os pecados que antes foram cometidos encontraram no tempo histórico de Jesus sua propiciação, a satisfação da ira de Deus. É por isso que no tempo histórico de Cristo, o próprio Deus demonstra Sua justiça (25, 26), que estava oculta pelos pecados impunes. Como diz um grande professor e referência:

“É por meio da cruz que nós somos justificados

Mas é na cruz que Deus também é justificado

É na cruz que Deus adquire o direito de salvar o pecador

É na cruz que Deus demonstra que todas as veres que ele perdoou e justificou pessoas no antigo testamento, Ele estava correto ao fazê-lo. ”[1]

Deus mostra que é justo e justificador, justo pois demonstrou Sua justiça, justificador, pois essa justiça resulta na salvação dos homens.

 

Onde está logo a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei.

Romanos 3:27,28

 

            A conclusão é que a jactância, orgulho, méritos humanos estão fora do caminho entre o homem e sua redenção, do pecado de sua propiciação. Não pode existir méritos e confiança própria, pois é sem lei que nos escondemos em Cristo em nosso próprio favor. Nos escondemos em Cristo, para a ira de Deus seja satisfeita nEle, para que o Justo, finalmente possa nos justificar.

[1] Professor Wilson Paroschi em: https://www.youtube.com/watch?v=dnisjcLo6R0 . A Lição – A Salvação pela fé somente: o livro de Romanos. Acesso em 23 de Outubro de 2017.