Comentários da Lição 6 (1o Trim/2018) por Pr Sérgio Monteiro e amigos

9 de fevereiro de 2018

Marcas de um Mordomo
Samuel Fernandes Caldas, Historiador, membro da IASD José Bonifácio

Nestes dias em que a busca pelos interesses pessoais e a auto-promoção, a competição e a rivalidade estão tão presentes na vida de muitos, muitas vezes no meio cristão, identificar as marcas de um verdadeiro mordomo é vital a fim de seguirmos com segurança a carreira que “nos está proposta” (Heb. 12:1). Se formos mesmo ao fundamento dinâmico destas características da mordomia, nossa relação com Deus, poderemos compreender a razão de existir das mesmas.

Em primeiro lugar, ao lembrar de nossa comissão, Aquele que é fiel nos prometeu sermos revestidos de poder ao descer sobre nós o Espírito Santo afim de testemunhar (At. 1:4, 5 e 8), mas este poder que nos vem sem nenhum mérito próprio (Gál. 1:1, 2), mas exclusivamente pelos méritos de Cristo (Gál. 3:13, 14), só pode ser mantido por uma relação diária vital com Deus, precisamos nos encher do Espírito Santo (Ef. 5:18), isto nos dá a ideia de que temos uma parte imprescindível na manutenção do dinamismo necessário à mordomia. É na medida mesma em que nos afeiçoamos e nos tornamos íntimos de nosso Deus que mais nos parecemos com Ele. Paulo nos exorta a que o imitemos como filhos amados (Ef. 5:1). Jesus é o nosso modelo, Ele é o nosso perfeito ideal, e as marcas do mordomo serão as mesmas do Senhor, determinadas não somente pelo ofício, de administrar a casa ou as posses do amo – oikonómos, no grego -, mas por se parecer com o dono da vinha.

O apóstolo Paulo escreveu: “se formos infiéis, Ele permanece fiel; porque não pode negar a Si mesmo”, e ainda somos informados de que Ele não pode mentir (Tit. 1:2; Heb. 6:18). Assim, a fidelidade, talvez a marca mais importante do mordomo, é encontrada primeiro nAquele de quem devemos ser aprendizes.

Nesta relação de aliança estabelecida inicialmente pelo batismo, e mantida mediante a busca constante do Senhor mediante a oração, o estudo de Sua Palavra, a entrada em audiência com o Juiz de toda a terra no culto privado e coletivo, certamente teremos Sua aprovação no cumprimento da missão, uma vida marcada pela consciência em paz, não apenas por que Jesus é nossa Justiça no juízo investigativo (Rom. 4:25; 5:1), mas também porque o Espírito Santo testificará conosco de que somos filhos de Deus (Rom. 8:16), filhos adquiridos pelos sangue imaculado de Cristo, filhos que obedecem mediante a justiça comunicada, que nos faz capazes em nossos deveres cristãos.

No Antigo Testamento, como no Novo, Deus se revela por meio de declarações de quem Ele é (Êx.3:14), e também por meio do que Ele faz. Todos os seus caminhos são justiça (Juízes 5:11; Sal. 145:17). Nos Testemunhos somos informados de que justiça é obediência à lei (1ME. 367; FO. 91), e como todas as obras de Deus são justas, estão m harmonia com os princípios de Seu reino, assim também os mordomos são obedientes, seguindo seu Modelo bem de perto (Jo. 13:15; Sant. 7, 8).

Falta-nos considerar ainda um ponto importante, o crescimento em Cristo não é uniforme para todos os cristãos, os dons espirituais não são os mesmos em cada um de nós. As Escrituras Sagradas nos informam que devemos servir a Deus segundo o dom que há em nós (2Tim. 1:6), e Ellen G. White nos deu esta advertência seguido de um conselho de ânimo:
“Não podemos igualar o Modelo; mas não seremos aprovados por Deus se não O imitarmos e nos assemelharmos a Ele, de acordo com a capacidade que o Senhor nos dá”. 5T. 549.

Ainda que tenhamos inimigos invisíveis para combater, nossa natureza carnal para submeter pelo poder do Espírito Santo e diversos problemas a enfrentar na carreira cristã, temos a promessa de que nosso trabalho no Senhor não é vão, de que uma vez que estamos mais próximos da segunda vinda de nosso Senhor do que quando abraçamos a fé, de que por fim, se formos fiéis até a morte receberemos a coroa da vida e ouviremos as mais preciosas e esperadas palavras do Mestre:
“Bem está servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Entra no gozo do teu Senhor” (Mat. 25:21).

Bíblia Sagrada, João Ferreira de Almeida, Edição Contemporânea
Fé e Obras, 91.
Mensagens Escolhidas, vol, 1, p. 367.
Testemunhos para a Igreja, volume 5, p. 549.
Santificação p. 7, 8.