Comentários da Lição 7 (1o Trim/2018) por Pr Sérgio Monteiro e amigos

16 de Fevereiro de 2018

Honestidade para com Deus
Filipe Reis, Missionário leigo, ancião na Igreja de Vila Nova de Gaea, Portugal (www.youtube.com/OTempoFinal www.facebook.com/OTempoFinal)

Vivemos num mundo que muitos conceitos morais têm sido relativizados em função não de princípio mas de prática corrente. Dito de outra forma, não é uma norma definida que esclarece o que é certo ou errado, mas sim as permeáveis e voláteis circunstâncias do dia-a-dia é que determinam, ou vão determinando, o conjunto de valores que regem todos os comportamentos.

Assim sendo, a tendência natural do homem pecador para olhar para si mesmo, para a busca dos seus próprios interesses e da superioridade em relação ao outro, leva-o a olhar para alguns atos como não sendo assim tão maus errados, simplesmente porque ele mesmo alterou o código de conduta que distingue entre o certo e o errado. Finalmente, por força da repetição e resultante cauterização de consciência, o errado torna-se aceitável, e depois o aceitável torna-se correto.

Na sua autoridade e sabedoria, Deus não dá margem para este tipo de desvio:
“Pesos fraudulentos são abomináveis ao Senhor; e balanças enganosas não são boas.” Provérbios 20:23.
“A honestidade deve caracterizar cada ato de nossa vida. Os anjos celestiais examinam a obra que nos é posta nas mãos; e onde houve afastamento dos princípios da verdade, nos registros se escreve “em falta”. Ellen White, Conselhos Sobre Mordomia, pág. 88

A Bíblia mostra a bênção que existe em seguir princípios de honestidade, seriedade e retidão em todo o nosso proceder:
“Feliz é o homem que empresta com generosidade e que com honestidade conduz os seus negócios.” Salmos 112:5
“Melhor é o pobre que vive com integridade do que o tolo que fala perversamente.” Provérbios 19:1.
“A sinceridade dos sinceros os encaminhará, mas a perversidade dos desleais os destruirá.” Provérbios 11:3.

Para nos proteger e desprender dos riscos que existem quando nos desviamos deste tipo de procedimento, Deus determinou um método que coloca a nossa prioridade primeiro n’Ele e depois no outro: os dízimos e as ofertas. Separando a primeira (dízimo) e a segunda (ofertas) partes de tudo quanto Ele nos dá para algo que, em primeira instância, não é para nós mesmos, Deus deseja firmar na mente do ser humano a ideia de que a prática de valores como altruísmo e honestidade são das mais úteis ferramentas para não vivermos centrados em nós mesmos.

Neste sentido, podemos perceber que a reclamação de Deus quanto aos nossos bens materiais, não é das mais exigentes que Ele faz. Veja que quanto às ofertas, Ele pede apenas a nossa boa vontade voluntária; quanto ao dízimo, Ele nos pede a décima parte. Contudo, quanto ao nosso tempo, Ele pede (no mínimo) a sétima parte; já quanto à condição moral, de caráter, Ele pede tudo. Portanto, podemos entender que quanto a bens materiais, o Senhor faz os requisitos mais leves que podemos encontrar.

Tudo isto é feito para nossa bênção e favorecimento:
“Os que reconhecem que dependem de Deus, sentirão dever ser honestos para com os seus semelhantes, e sobre tudo para com Deus, de quem todas as bênçãos da vida advêm. A evasão a Suas ordens positivas concernentes ao dízimo e às ofertas, acha-se registrada nos livros do Céu como roubo a Deus.” Ellen White, Conselhos Sobre Mordomia, pág. 48
Ao mesmo tempo, esta postura conduz a uma vida de fé, confiança e dependência de Deus. Um exemplo disso mesmo é dado pela viúva de Sarepta (I Reis 17): num tempo de grande escassez, ela quis primeiro dar aos outros – no caso, o mensageiro de Deus – mesmo arriscando ficar sem rigorosamente nada para si e seu filho.

Curiosamente, podemos perceber que num primeiro momento, a viúva, certamente devido à grande dificuldade em encontrar mantimentos, hesitou em servir Elias da pouquíssima comida que tinha (v. 12). Contudo, após a insistência do profeta (v. 13), a senhora “foi e fez conforme a palavra de Elias” (v. 15). Em consequência, o Senhor a abençoou e encheu-lhe a casa mais do que ela poderia imaginar (v. 16) e mais do que todos os outros em redor. O seu ato de fé foi recompensado com as maiores bênçãos de Deus.

Este princípio está bem explicado pelo sábio:
“A quem dá liberalmente, ainda se lhe acrescenta mais e mais; ao que retém mais do que é justo, ser-lhe-á em pura perda. A alma generosa prosperará, e quem dá a beber será dessedentado.” Provérbios 11:24, 25.

O livro de Atos mostra que, diante de Deus, é ainda melhor ser encontrado no lugar de ofertante do que de recebedor:
“Mais bem-aventurado é dar que receber.” Atos 20:35.

Podemos porventura pensar que o facto de oferecermos a Deus se resume na questão “eu tenho e decido oferecer a Deus”. Isso não está totalmente correto, e por uma simples razão: mesmo entre aquilo que nós temos, tudo pertence originalmente a Deus.

I Crónicas 29 conta acerca das ofertas do povo para a construção do templo. Davi estava a fazer planos para essa construção que seria Salomão a dirigir – entre esses planos, estava reunir materiais e oferta do povo para efeitos da construção.

Ele mesmo, Davi, deu o exemplo ofertando de suas posses:
“Além disso, pelo meu amor ao templo do meu Deus, agora entrego das minhas próprias riquezas, ouro e prata para o templo do meu Deus, além de tudo o que já tenho dado para este santo templo.” I Crónicas 29:3, continuando nos seguintes.

O seu exemplo foi seguido por outros:
“Quem tinha pedras preciosas deu-as para o depósito dos tesouros do templo do Senhor, cujo responsável era Jeiel, o gersonita.” I Crónicas 29:8.

Isto provocou grande alegria entre todos:
“O povo alegrou-se diante da atitude de seus líderes, pois fizeram essas ofertas voluntariamente e de coração íntegro ao Senhor. E o rei Davi também encheu-se de alegria.” I Crónicas 29:9.

Depois disso, o que fez Davi? As Escrituras revelam:
“Davi louvou o Senhor na presença de toda a assembleia, dizendo: “Bendito sejas, ó Senhor, Deus de Israel, nosso pai, de eternidade a eternidade. Teus, ó Senhor, são a grandeza, o poder, a glória, a majestade e o esplendor, pois tudo o que há nos céus e na terra é teu. Teu, ó Senhor, é o reino; tu estás acima de tudo. A riqueza e a honra vêm de ti; tu dominas sobre todas as coisas. Nas tuas mãos estão a força e o poder para exaltar e dar força a todos. Agora, nosso Deus, damos-te graças, e louvamos o teu glorioso nome. Mas quem sou eu, e quem é o meu povo para que pudéssemos contribuir tão generosamente como fizemos? Tudo vem de ti, e nós apenas te demos o que vem das tuas mãos.” I Crónicas 29:10-14

Ou seja, diante de todas as pessoas (v. 10) David recebeu que todos tinham oferecido bens que, na realidade, pertencem ao Senhor que é o dono de todas as coisas.
Nos evangelhos, é nítido que Deus olha atentamente para o nosso comportamento, querendo ensinar-nos passo a passo, a sermos mais responsáveis diante d’Ele e do nosso próximo:
“Quem é fiel no mínimo, também é fiel no muito; quem é injusto no mínimo, também é injusto no muito.” Lucas 16:10.

Perguntamos: existirá alguma ligação entre tudo isto e a nossa relação com Deus? Na verdade, a devolução de dízimos e ofertas não é um acerto de contas com Deus; é uma pura questão de discipulado e fidelidade.

Certa ocasião, enquanto estava na Austrália, Ellen White participou de uma reunião, no dia 15 de janeiro de 1893, onde foi abordada a questão do dízimo. Após essa ocasião, ela escreveu:
“A nossa última reunião está encerrada. Tivemos um encontro muito importante. As questões sobe dízimo foram respondidas pelo irmão Starr muito apropriada e satisfatoriamente. As palavras que o Senhor me deu para falar ao povo foram sobre fidelidade e amor a Deus e nossos semelhantes.” Manuscrito, 63, 1893.

É curioso verificar que num encontro em que se tratou da questão do dízimo, Ellen White tenha sido impressionada a falar sobre fidelidade a Deus. Na verdade, este é um ponto fulcral: a nossa boa vontade e liberalidade quando à devolução do dízimo é uma boa medida pessoal aferidora da nossa relação com Deus, em primeiro lugar, e com o nosso próximo, logo de seguida.
Em conclusão, as Escrituras não deixam dúvidas quanto às bênçãos que Deus tem para cada pessoa neste aspeto.

“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes.” Malaquias 3:10

Que Deus o abençoe na sua fidelidade!