Comentários da Lição 8 (4o Trim/2017) por Membros da Classe do EJC

24 de novembro de 2017

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A maneira pela qual a lei era interpretada pelos judeus foi um dos assuntos mais polêmicos na época de Paulo. Nos dias atuais, o termo “lei” poderia estar figurando entre os mais populares do Google Trends, ferramenta do Google que mede a popularidade de determinado assunto. A despeito de todas as métricas, os escritos paulinos são verdadeiros indícios de como a lei estava em evidência. É quase inevitável ler as cartas escritas por Paulo e não se maravilhar com o poder do Espírito Santo ao inspirá-lo a fim de argumentar sobre um tema tão delicado, o papel da lei na vida da pessoa que aceitou Cristo como seu Senhor. Ao mesmo tempo, é possível que alguns considerem o conteúdo de suas cartas de difícil interpretação, assim como o apóstolo Pedro considerou (II Ped. 3:16). Neste sentido, compreende-se porque até os dias atuais a “lei” continua sendo um dos assuntos mais polêmicos entre os cristãos. O capítulo 7 de Romanos é um texto crucial para compreender a função da lei na vida do cristão.

O exemplo utilizado por Paulo para iniciar sua argumentação aborda como o sétimo mandamento do decálogo, não adulterarás, atua na vida da mulher casada (v. 2). No caso, tal lei prende a mulher ao marido. Continuando o exemplo, o marido morre e a mulher se livra da lei, uma vez que não há adultério se ela se relacionar com outro homem novamente (v. 3). Paulo, em seguida, ao comparar o cristão à esposa, pode parecer confuso em um primeiro momento, pois a esposa não morre no exemplo dado e o suposto marido antigo não é citado. Contudo, percebe-se que o ponto precípuo do exemplo são a relação dos personagens com a lei e novidade do novo casamento. Assim como morte dissolve o vínculo entre marido e esposa, a morte do crente com Cristo rompe o julgo da lei, ficando livre para se casar com Ele. Ao contrário do antigo casamento, nesta nova relação o pecado não é colocado em evidência por meio da lei, justamente porque a esposa está morta para a lei pelo corpo de Cristo (v. 4). Nós, no antigo casamento, isto é, na velha vida, vivíamos tentando seguir a lei cegamente, mas ao aceitar o sacrifício de Cristo (morrer para a velha vida), ressurgimos com a certeza que Deus vai operar em nós (v. 5 e 6). De maneira especial, nota-se que em nenhum momento a lei morre.

Entretanto, antes que alguém pudesse conjecturar que a lei estava sendo depreciada, Paulo contundentemente afirma que a lei não é pecado (v. 7), mas que ela é “santa, justa e boa” (v. 12). O papel da lei consiste em apontar o pecado e, de certa forma, traz a morte ao indivíduo (v. 7-11). Para dissolver qualquer confusão existente sobre a malignidade da lei e esclarecer como o pecado usa a lei, exposta na metáfora inicial, Paulo descreve uma batalha interna dramática. “Porque sabemos que a lei é espiritual…” (v. 14), contudo quando olhamos para lei e tentamos segui-la, decepcionamo-nos, “Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico (v. 19). Em meio a este cenário caótico, Paulo dá graças a Deus pelo seu Filho, pois por meio dele temos a Graça Maravilhosa (v. 24 e 25). A graça de Jesus Cristo nos traz a verdadeira liberdade, pois vivemos com a certeza do perdão e, progressivamente, em conformidade com a lei sem nos preocuparmos com ela.