Comentários da Lição 9 (1o Trim/2018) por Pr Sérgio Monteiro e amigos

2 de março de 2018

Ricardo dos Santos Oliveira, graduando Licenciatura em História, palestrante sobre temas apocalípticos, durante 5 anos foi o primeiro Ancião da IASD de Palmeiras do Estado de Sergipe, dono do canal apologético no Youtube “Ricardo Oliveira” (link do canal: https://www.youtube.com/c/RicardoOliveiraRNDD)

Recentemente vi uma matéria em um canal de TV onde um idoso bilionário estava doando toda sua fortuna.  A fila era enorme de pessoas que esperavam chegar sua vez e pegar um pacotinho com um montante bem significativo.  Alguns cantavam e pulavam de alegria ao receber essa oferta que era destinada por esse idoso bilionário. O que motivou esse idoso a fazer essa doação? Qual era o motivo de dividir tudo o que tinha com os menos afortunados? A resposta é simples:  o idoso tinha descoberto que era portador de uma grave doença e que tinha poucos dias de vida.  Por isso o bilionário resolveu OFERTAR tudo o que tinha, pois diante dessa circunstancia ele percebeu que a MAIOR riqueza que ele possuía acabara de perder, ou seja, sua SAÚDE.  A oferta desse idoso bilionário me faz lembrar de uma outra história onde encontramos a maior oferta já feita em toda história da humanidade, e essa oferta está registrada em João 3:16:Porque Deus AMOU o mundo de tal maneira que deu (OFERTOU) o seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

A bíblia apresenta uma oferta de sacrifício que é muito parecida com a oferta de Deus, e essa oferta foi realizada por Abraão – digo realizada porque Abraão havia decidido em seu coração OFERTAR seu filho a Deus, mas Deus não permitiu que Abraão concretizasse esse ato de fé. Mesmo que Abraão tivesse ofertado seu filho, ainda assim sua oferta não seria igual a oferta de Deus, por um motivo simples:  Abraão estaria OFERTANDO seu filho a um Deus PURO e SANTO, porém Deus ofertou Seu único filho a um mundo mau, totalmente depravado, e para resgatar pecadores que hoje zombam e menosprezam de tal ato de amor. Por esse motivo, a oferta de Deus continua e continuará sendo a mais ELEVADA e INIGUALÁVEL”

Deus é o maior ofertante da história, pois nos OFERTOU o que tinha de mais importante: seu único filho. Como sermos gratos a Deus por tamanha dádiva e amor? Quem responde essa pergunta é o próprio Jesus em João 14:15:Se me amais, guardareis os meus mandamentos”. A oferta é um princípio estabelecido por Deus. Malaquias 3:9,10 pede para que entreguemos a décima parte de nossa renda e também as ofertas. Quando devolvemos o dizimo a Deus, estamos reconhecendo através desse ato que Ele é o dono de tudo e também nosso mantenedor, e as ofertas são um ato de gratidão a Deus por tudo o que ele fez, faz e continuará fazendo por nós.

Um bom mordomo é consciente de suas responsabilidades. Dentre essas responsabilidades está incluso o bom uso de nossos recursos financeiros. Durante sua caminhada cristã, o bom mordomo fará um bom uso dos quatro T”s da Mordomia Cristã: TEMPO, TALENTO, TEMPLO, TESOURO. A forma como administramos esses quatro “T”s revela nosso caráter como bons ou maus mordomos. Exatamente com o quarto “T” (Tesouro) podemos honrar o nosso Deu, pois através dos nossos recursos temos a oportunidade de expressar gratidão e amor àquele que nos amou primeiro e que nos ofertou o melhor que tinha.

Hoje um dos maiores males que afeta a humanidade é o apego ao material, ou seja, o amor ao dinheiro. Por causa desse amor muitos são impulsionados a praticar o que há de mais bizarro e cruel, muitos se corrompem, matam, mentem e subornam. É bom pontuarmos que o problema não está no dinheiro, mas sim no amor ao dinheiro e ao desejo excessivo por riquezas. I Timóteo 6:10 diz que “o AMOR ao dinheiro é a raiz de todos os males”. Quando uma pessoa nutre esse tipo de sentimento de obsessão ao dinheiro, ela está revelando que algo ocupou o trono do seu coração, que Deus não é tão importante em sua vida e que pode ser substituído.

Como bons mordomos, temos que mostrar ao mundo materialista que Deus é o que temos de mais importante, até mesmo mais importante que nosso TESOURO, e que o uso que fazemos desse TESOURO revela o nível de gratidão que temos por Deus. Não que Deus avalia nossa gratidão e amor através do valor que entregamos a ele, mas pelo sentimento que nos impulsiona a ter essa atitude. Um bom exemplo é a oferta da viúva pobre mencionada em Marcos 12:41-44. Essa sim podemos considerar uma oferta pura e sincera, não pelo valor dado, mas sim por aquilo que motivou ela a fazer essa doação. Essa cena bíblica nos mostra o contraste da ação dessa pobre viúva e dos lideres religiosos de sua época, pois o único objetivo deles era se exibir e chamar a atenção para si mesmos com suas ofertas exorbitantes, achando que dessa forma alcançariam o favor de Deus. Como eram hipócritas, pois doar da abundancia que tem não requer fé. Que bom que nosso Deus avalia o motivo e não somente a ação. Já dizia o filósofo alemão Gotthold Lessing:É a intenção, e não a doação, que faz o doador”.

“Seria melhor não dar absolutamente nada do que dar de má vontade; pois se dermos de nossos meios quando não temos o espírito de dar liberalmente, zombamos de Deus. Tenhamos sempre em mente que estamos lidando com Alguém de quem dependemos em cada bênção. Alguém que lê toda intenção do coração, cada propósito da mente”.  Review and Herald, 15 de maio de 1900.

O valor da oferta está diretamente relacionado ao ofertante. Para Deus, o valor da oferta não é mais importante do que aquilo que a oferta representa para o ofertante. Ao ofertar, que possamos nos lembrar que o valor da oferta não é determinado pelo que ele representa para os outros, mas o que ele representa para nós, pois se não tiver valor para mim, também não terá valor para Deus.

A oferta que agrada a Deus possui algumas características específicas. Vejamos algumas delas:

É feita com alegria: “Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.” 2 Coríntios 9.7

É formada pelo que há de melhor: “Abel, por sua vez, trouxe as partes gordas das primeiras crias do seu rebanho. O Senhor aceitou com agrado Abel e sua oferta,” Gênesis 4.4

É de coração: “Diga aos israelitas que me tragam uma oferta. Receba-a de todo aquele cujo coração o compelir a dar.” Êxodo 25:2

Como foi mencionado anteriormente, o problema não está no dinheiro, mas sim no desejo obsessivo em obtê-lo, pois esse desejo pode fazer com que o dinheiro ocupe o lugar que deve pertencer unicamente a Deus. O primeiro mandamento do decálogo é um golpe contra esse desejo obsessivo e ao apego aos bens materiais, pois o mesmo pode se tornar um deus na vida de muitos, e o mandamento é bem objetivo ao afirmar: “Não terás outros deuses diante de mim” Êxodo 20:3.

Outro exemplo bíblico que nos mostra como é nocivo esse sentimento de obsessão ao dinheiro é o exemplo do jovem rico. Esse jovem se intitulava com sendo um fiel seguidor e mordomo de Deus, se julgava um praticante assíduo da Torá e sua atitude era invejável, porém seu coração revelava sua hipocrisia e seu verdadeiro caráter. Ele deixou bem claro que o dinheiro era mais importante que o próprio Deus, ou seja, de forma soberba ele dizia ser um fiel seguidor da lei de Deus, porém ele foi desqualificado no primeiro mandamento da lei que ele dizia seguir à risca. Ele deixou bem claro que o seu tesouro era o que ele tinha de mais importante. Como faz sentido o que Mateus disse no capitulo 6:21:Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”. Mal sabia ele que esse tesouro era passível de ferrugem, podia ser comido pela traça e o ladrão podia roubar! Percebemos nesse episódio uma lição importante: a riqueza atrae, seduz e deseja dominar o coração. Neste mundo materialista em que vivemos o coração segue o tesouro, por isso é muito importante o lugar que os nossos tesouros estão ocupando. Oremos a cada dia para que esses tesouros não ocupem o lugar do maior tesouro que o ser humano pode ter, que é a oportunidade de ter a vida eterna e ser um morador da pátria celeste! O nosso pai já nos OFERTOU a salvação, só nos resta tomar posse.

Jean-Jacques Rousseau disse que o homem nasce bom, e a sociedade o corrompe, mas percebemos que a bíblia não dá eco a essa afirmação. Todo homem nasce mau por natureza, o que compete a nós é dominar esses desejos que têm como objetivo nos afastar de Deus. Em Tiago 4:7 assim lemos:Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.

Um dos pensamentos que deve nortear a mente de um bom mordomo é o seguinte: não devemos doar nossas ofertas com o objetivo de receber favores ou querer comprar a Deus; não devemos doar para receber, temos que doar porque já recebemos. A cada dia temos a dádiva de poder acordar, respirar, andar, falar, enxergar, e é Ele quem nos dá forças para adquirirmos o nosso pão de cada dia, ou seja, é Ele quem nos mantém a cada momento por sua graça e poder. Muitas vezes não percebemos como essas coisas são tão importantes e vitais para as nossas vidas. Sou casado há quase 18 anos e tenho dois filhos: a Dalila, de 14 anos, e o Danilo, de 10 anos. O pai da minha esposa (Gessé Bento) há uns 6 anos não enxerga, não anda, não fala, tem um braço paralisado, não pode comer aquilo que gosta, depende da sua esposa para saciar suas necessidades mais básicas como: comer, tomar banho, se locomover, e inclusive para realizar suas necessidades fisiológicas. Diante dessa situação fico refletindo e chego à conclusão que não costumamos dar valor a essas riquezas que temos, e sabe por quê? Simplesmente porque a temos! Os que não têm desejam ter, e nós que temos não damos o devido valor e assim passam despercebidas no nosso dia a dia. Meu sogro teria tudo para ser uma pessoa melancólica, triste e revoltada, mas pelo contrário, ele luta a cada dia e a cada instante por aquilo que ele tem de mais importante: que é sua vida. Querido leitor, tenha em mente que o que deve lhe motivar a OFERTAR a Deus é o fato de ele te dar a oportunidade de viver a cada dia.

Alguns sentem que suas ofertas destinadas a Deus são insignificantes. Temos essa percepção porque avaliamos nossas ofertas de acordo com nossa ótica, mas para Deus elas são bem significativas, porque quando doamos o nosso melhor isso indica que O colocamos em primeiro lugar e O temos em grande estima. Nunca esqueça do exemplo da pobre viúva que ofertou o seu melhor.

Outra questão primordial que encontramos no Currículo de um bom mordomo é o fato de, antes de ele ter doado qualquer coisa, ele doou primeiro o seu coração, porque sua oferta, além de mostrar seu nível de gratidão a Deus, vai revelar quem de fato Ele é na sua vida. A lição dessa semana trouxe um pensamento relevante que confirma isso: “A menos que o amor de Deus seja refletido em nossas vidas, nossa doação não refletirá Seu amor”. Antes de ser dada qualquer oferta, nosso coração já tem que ter sido ofertado, pois nossas ofertas serão reflexo daquilo que está em nosso interior. Uma árvore só dá bons frutos se tiver uma boa raiz. Um coração egoísta tende a ter gestos e atitudes egoístas. Um coração convertido e que tem Cristo sentado em seu trono, refletirá atos de generosidade e amor abnegado.

“Deus Se deleita em honrar a oferta de um coração que ama, dando-lhe a mais alta eficiência em Seu serviço. Se dermos o coração a Jesus, trar-Lhe-emos também as nossas dádivas. Nosso ouro e prata, nossas mais preciosas posses terrestres, nossos mais elevados dotes mentais e espirituais ser-Lhe-ão inteiramente consagrados, a Ele que nos amou e Se entregou a Si mesmo por nós”. O Desejado de Todas as Nações, pág. 65.

Jesus diz em João 15:5Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”. Jesus afirma de forma categórica que sem Ele nada podemos fazer. O segredo para ter sucesso na caminhada cristã é permanecer nEle. O segredo de não desistir mesmo que as circunstâncias sejam desfavoráveis é permanecer nEle. O segredo de ser um bom mordomo e um fiel ofertante é permanecer nEle. O segrego do SUCESSO é PERMANECER nEle, o resto será consequência dessa decisão.

O dizimo é um princípio lindo quando entendido e aplicado da forma correta. Todo bom mordomo é fiel a esse princípio. É interessante notar que a OFERTA é algo que antecede o dizimo. As vezes nos esforçamos tanto em ser fiel a Deus através do dizimo e nos esquecemos que a oferta também tem um papel importante na vida de um fiel mordomo, e que o ato de ofertar é tão importante quanto o de dizimar. A repreensão de Deus em Malaquias 3:9 é para os que ROUBAM a Deus nos DIZIMOS e nas OFERTAS; ou seja, para Deus a oferta é tão importante quanto o dizimo.

Logo no início da palavra de Deus, no livro de Gênesis, encontramos um episódio onde duas ofertas são oferecidas a Deus. Uma oferta foi pautada na obediência, e a outra na vontade humana. A oferta de Abel só teve valor e foi aceita por Deus porque ele deixou de lado seus gostos e vontades e ofertou de acordo com a ordem que lhe foi dada. Já a oferta de Caim foi recusada pelo simples fato de ele ter deixado de lado a vontade de Deus e ter seguido seus próprios interesses e vontades, pois segundo sua ótica o que ele podia oferecer era muito melhor do que o que Deus havia lhe pedido. Precisamos compreender que somos livres em ofertar a Deus, não somos obrigados, mas no momento em que decidimos ofertar temos que fazer dentro dos moldes estabelecidos por Deus, pois o nosso melhor, desvinculado da vontade divina, não terá valor nenhum. A obediência é a base que norteia todo ato de um fiel mordomo. Em I Samuel 15:22 Deus foi bem claro em dizer ao Rei Saul: “…A obediência é melhor que ofertas e sacrifícios…”, ou seja, sem obediência, por melhor que seja a oferta, ela não terá valor algum.

REFLEXÃO: Será que nossas ofertas diante de Deus estão sendo APROVADAS ou REPROVADAS? Nossas ofertas refletem o caráter de quem? O nosso ou o de Deus? O que Deus deseja ver através das nossas ofertas, na verdade, é renúncia, pois a renúncia é o amor em ação. Como tem sido minha oferta? Do que sobra? Do que tem valor para mim? Tem sido uma oferta de renúncia? Uma coisa eu posso afirmar: PERMANEÇA em CRISTO e o resultado será positivo, pois ele mesmo disse: “Sem mim, nada podeis fazerJoão 15:5.