Meditação diária de 08/09/2017 por Flávio Reti

8 de setembro de 2017

shutterstock_152899814-e1461172969350

08 de setembro

Dia da Alfabetização

Apocalipse 1:3   “Bem aventurado aquele que lê e bem aventurados os que ouvem as palavras desta profecia e guardam as coisas que nela estão escritas, porque o tempo está próximo”

O analfabetismo é a pior prisão do ser humano. Quem não sabe ler não tem endereço, não tem destino, não tem norte. E não é fácil aprender ler. É quase incompreensível como uma criança de 6 ou 7 anos consegue aprender. São apenas 26 letras, mas se levar em conta que temos maiúsculas e minúsculas passam a ser 52. E se considera letra cursiva e letra de imprensa, minúsculas e maiúsculas, são mais 52, logo dá um total de 104 letras. Acha fácil decorar 102 letras para depois começar formar palavras e desandar lendo? Pense numa criança japonesa. Ela terá que aprender a tabela do Katakaná que não são letras, são sílabas, para escrever nomes próprios, palavras estrangeiras e nomes científicos. Depois ela aprende a tabela do Hiraganá que já são as silabas para formar as palavras comuns do dia a dia normal. Depois ela é incentivada a aprender o Kandi, que são os ideogramas, onde um desenho daqueles equivale a uma palavra, a uma sentença, a um pensamento inteiro e deve ser decorado em número de uns 3.000 deles para mais. Uma criança japonesa não consegue ler o jornal, porque são todos misturados os Katakanás, o Hiraganás e o Kandis. Certa vez me interessei em aprender alguma coisa de uma língua oriental, simplesmente para comparar com as línguas ocidentais. Eu era professor de Inglês e Latim e tive curiosidade de saber como eram as línguas orientais e me propus aprender japonês. Cheguei a aprender o Katakaná e o Hiraganá, mas quando me deparei com o Kandi, espera lá, pra que estudar isso? Eu não vou para o Japão mesmo e meu aprendizado de japonês parou por aí. Mas deu para ter uma boa noção de como é a língua japonesa. Hoje quando volto aos livros que usei para iniciar meu aprendizado do japonês, fico me perguntando. Onde eu estava quando inventei de estudar isso? Não é impossível, mas não é tão fácil assim.

Temos na bíblia o relato de um jovem que aprendeu cedo com sua avó e com sua mãe, o jovem Timóteo. O apóstolo Paulo elogia Timóteo por conhecer desde cedo, desde a infância, as “sagradas letras” (II Tim.3:15). Quando voltava de uma viagem a Jerusalém, onde fora adorar, o alto funcionário da rainha da Etiópia estava lendo no seu carro. Provavelmente ele lia o aramaico, a língua dos judeus cultos no tempo de Jesus, e Felipe, um dos apóstolos, se aproximou dele e perguntou se ele estava entendendo o que lia, ao que ele respondeu: “Como posso entender se não há quem me explique?” Então Felipe entrou no carro e foi com ele (Ele estava lendo o livro do profeta Isaías). Em Setembro de 2016, num encontro entre o papa e o primeiro ministro de Israel, eles discordaram da língua que Jesus falava. Netanyahu disse que era o hebraico e o papa corrigiu dizendo que era o aramaico. Jesus deveria ser falante do aramaico porque sabia conversar com autoridades, mas deveria também saber o hebraico porque era a língua do povo a quem ele se dirigia com frequência.

Seja analfabeto ou extremamente culto, seja falando aramaico, Inglês ou Português, nenhuma língua do mundo pode ser útil para a pregação do evangelho se não pronunciar junto um toque de amor. Paulo coloca da seguinte maneira: “Dou graças a Deus porque falo outras línguas mais do que vós todos” (I Cor.14:18). Mas ele acrescenta, “ainda que eu fale as línguas dos homens (e ele falava várias) e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda ciência, ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei” (I Cor. 13:1 e 2).

Precisamos nos alfabetizar com a língua do céu, a linguagem do amor em qualquer língua, porque não basta só falar, temos também que ouvir e entender o que Deus tem para nos dizer. Você entende?