Meditação diária de 11/09/2017 por Flávio Reti

11 de setembro de 2017

familia negra

11 de setembro

Dia da família afro-brasileira

Apocalipses 6:12    “Vi quando o Cordeiro abriu o sexto selo, e sobreveio grande terremoto. O sol se tornou negro como saco de crina, a lua toda, como sangue”

Conheci no tempo de internato um jovem negro que veio, como nós, para ser aluno bolsista. No seu primeiro dia de colégio, de fato, nós fomos ao café da manhã. As moças serviram para cada mesa, além do leite, pão, iogurte, um pote de geleia de uva. Nosso amigo, recém chegado, achando que seria um porte de geleia para cada um, pegou logo o pote e comeu tudo com uma fatia de pão. Pronto! Foi o que faltava para ganhar um apelido, como todos que chegavam ganhavam. Geleia. E dali para frente ninguém sabia seu nome, só conheciam o Geleia.

Mas afro-brasileiro ou negro são os termos oficiais no Brasil para designar racialmente a cor das pessoas que se definem como pertencentes a esse grupo. De acordo com a pesquisa do IBGE de 2008, apenas 11,8% dos entrevistados disseram ter ascendência africana, enquanto 7,8 se declararam negros e 1,4 se denominaram pretos. Quando foi apresentada a opção afro-brasileira, 27,8% se declararam com tal.

Darcy Ribeiro, grande antropólogo brasileiro, considera o contingente negro e mulato “o mais brasileiro dos componentes do nosso povo”.  Quando olho para um negro e vejo como eles são fortes, têm dentes bonitos não posso deixar de admirá-los. Apesar da sua origem no Brasil ser da escravidão, o que levou a sociedade a desenvolver um estereótipo de humilhação, hoje o negro está praticamente integrado, já esqueceu do estigma de pobreza e criminalidade. Sua luta pela igualdade racial, a luta das entidades que defendem os direitos humanos, a própria constituição afirmando que todos são iguais, o negro já se sente familiarizado e está cada vez mais aceito em todos os níveis da sociedade. É apenas uma questão de cor e nada mais, no restante somos todos iguais, somos todos filhos de Deus. Muitos atores e atrizes se declaram abertamente negros, ou afro-brasileiros (Camila pitanga, Gilberto Gil, Muçum já falecido). Só a contribuição dos negros na cultura brasileira deveria ser suficiente para fazer calar o preconceito.

Ellen White tinha uma certa apreciação pela população negra americana. Ela via neles pessoas capazes de ocupar cargos importantes na obra da pregação. “Ultimamente, como a necessidade desse campo me tenha sido insistentemente apresentada, não me tem sido possível dormir senão um pouco. A obra médico-missionária deve ser levada avante entre este povo negro, ao qual deve ser ministrado algum preparo em enfermagem, cozinha e outros importantes ramos de trabalho. Há entre eles pessoas que devem ser preparadas para ocupar o lugar de professores, instrutores bíblicos, colportores” (Carta 221, 1904).

“O nome do negro está escrito no livro da vida, junto do nome do branco. Todos são um em Cristo. O nascimento, a posição, nacionalidade ou cor não podem elevar nem degradar os homens. O caráter é que faz o homem. Se um pele-vermelha, um chinês ou africano rende o coração a Deus em obediência e fé, Jesus não o ama menos por causa de sua cor. Chama-lhe Seu irmão muito amado” (The Southern Work, pág. 8, escrito em 20 de março de 1891).

Raça é um conceito social, político e ideológico e não tem uma sustentação biológica. Em um país grandemente miscigenado como o Brasil, não é fácil e nem conveniente definir quem é negro ou quem é branco, uma vez que muitos brasileiros aparentemente brancos são descendentes de negros, assim como muitos negros são descendentes de Europeus. Conheci no sul do Brasil negros falando o alemão normalmente. Esquece a cor, o sangue de Jesus, vermelho como de qualquer um, foi todo suficiente para salvar a todos. Comemore hoje o dia do afro-brasileiro e amanhã ou algum outro dia será o dia de comemorar o branco. Como, para entrar no céu, todos vão ser transformados (I Cor.15:51), que tal Deus transformar todos em negros? Você vai reclamar? Claro que não! Então…