Meditação diária de 23/12/2017 por Flávio Reti

23 de dezembro de 2017

Bons-vizinhos

23 de Dezembro
Dia do vizinho

Provérbios 27:10   “…Mais vale um vizinho que está perto do que um irmão que está longe”

Aconteceu certo dia que uma vizinha nossa nos procurou dizendo que não sabia o que estava acontecendo com seu filho de 12 anos que não queria acordar. Movida pela curiosidade minha esposa foi até a casa dela checar o que estava acontecendo, porque nós conhecíamos o menino que vivia brincando na nossa rua empinando pipa. Lá chegando, ela descobriu que o menino não estava dormindo, ele estava desmaiado. Ela chamou e pediu para trazer um taxi depressa e ela mesma ergueu o menino nos braços, não sei de onde ela arrancou tanta força, e o levou ao hospital mais próximo. Feitos os primeiros exames, o médico anunciou a causa: O menino estava diabético e a mãe nunca soube disso. No momento ele estava com excesso de açúcar no sangue e logo iria entrar em coma profundo. Felizmente ele foi tratado e dois dias depois já voltou para casa e continuou empinando pipa na rua, mas agora tomando insulina diariamente. Naquele dia o verso de Provérbios foi a mais absoluta verdade. “Mais vale um amigo por perto do que um irmão longe”. O dia do vizinho começou a ser lembrado e comemorado com a escritora Cora Coralina que gostava de incluir seus vizinhos nas suas obras e acabou acontecendo de alguém marcar uma data para celebrar essa relação entre os vizinhos. O mundo está passando por mudança e hoje, graças à internet, a gente tem vizinhos do outro lado do mundo, mas a proposta é celebrar a relação com quem está do seu lado, na casa ao lado, do outro lado da rua conversando com ele, oferecendo um favor, pedindo um favor. Uma triste realidade é que ao passar do tempo aquele sentimento bom de fraternidade entre vizinhança vem se acabando aos poucos. As sociedades modernas são compostas de pessoas muito individualistas, inseguras e retraídas, vivendo para si. As pessoas estão cada dia mais interessadas nas questões que dizem respeito a elas e não querem saber de coisas da comunidade e com isso o relacionamento de quem mora ao lado vai se perdendo. Mas há muita história boa de pessoas que conviveram nos bairros, nas pequenas cidades do interior que viveram próximas e cuja relação ainda é muito forte. São amigos de longa data, costumamos dizer. São daquele tempo em que se ficava conversando no portão da casa a qualquer hora do dia e da noite, jogando conversa fora e estreitando os laços de amizade e trocando experiências. No interior, especialmente entre vizinhos de sítios e fazendas, eles se reúnem em tempos de colheitas ou de plantar e juntos fazem todo o trabalho distribuindo um dia para cada um e vão levando a vida de bons vizinhos e bons amigos.

“Ide aos vossos vizinhos um por um, aproximando-vos deles até que seus corações sejam aquecidos pelo vosso abnegado amor e interesse. Simpatizai com eles, orai por eles, aproveitai cada oportunidade de fazer-lhes bem, e quanto vos for possível reuni alguns e abri a suas mentes entenebrecidas a Palavra de Deus” (Review and Herald, 13 de março de 1888).

“Irmãos e irmãs, visitai aqueles que residem próximo de vós e com simpatia e bondade procurai cativar-lhes o coração. Cuidai bem de trabalhar de tal maneira que desvaneçais os preconceitos, em lugar de criá-los. E lembrai-vos de que aqueles que conhecem a verdade para o momento presente e ainda limitam seus esforços a sua própria igreja, recusando-se a trabalhar por seus vizinhos ainda não convertidos, serão chamados a prestar contas por deveres não cumpridos” (Serviço Cristão, pág. 115).

Deu para perceber nas duas citações de Ellen White que o crente deve ser a favor da “política da boa vizinhança”? Cativar coração de pessoas só pode acontecer com o amor de Cristo no nosso próprio coração. Não basta ser vizinho, tem que ser bom vizinho e estar disposto a cooperar em tudo aquilo que pudermos. Vamos experimentar? Ou vamos esperar ser chamados a prestar contas por deveres não cumpridos?