Comentários da Lição 7 (4o Trim/2017) por Membros da Classe do EJC

17 de novembro de 2017

Vencendo o pecado

Vencendo o Pecado

Vencer o pecado nunca foi e nem será uma tarefa fácil. Em toda a teologia vemos que é uma tarefa sobreumana, o que significa que o ser humano por ele mesmo não tem chances contra o pecado, pois este requer sacrifício perfeito (cordeiro sem mácula). Já a consequencia do pecado é algo bastante conhecida: a morte, que passamos a conhecer graças ao erro dos nossos primeiros pais. Mas é obvio que ninguém deseja morrer – salvo alguém que sofre algum tipo de distúrbio, que também é parte da consequencia da queda. Sabendo disso, o homem, naturalmente pecador, sente a necessidade de não pecar. Porém nessa busca acaba percebendo sua pequenez e incapacidade diante de um adversário tão competente (veremos mais deste tema na lição da próxima semana, o capítulo 7 de Romanos). É aí que entra a Graça! Por meio dela Jesus nos habilita a sermos aceitos como somos, perdoando os pecados confessados a Deus em profundo arrependimento. É só através da fé na fé de Jesus em Seu sacrifício perfeito que nos livramos da condenação e morte eternas, não há outro meio!

No estudo dessa semana Paulo acrescenta o conceito de santificação no processo de salvação, onde o pecado é vencido e o caráter de Cristo refletido na vida do cristão por suas obras. Mas se as obras não podem nos salvar porque devemos nos preocupar com elas? Porque não continuar pecando? O capítulo 6 de Romanos é a resposta de Paulo, e a palavra chave é Santificação.

Naturalmente somos questionados: Santificação trata-se de um ato singular ou um processo contínuo? Uma vez salvo, salvo para sempre? Não precisamos mais da lei?

O ponto comum até aqui estudado é que todos somos pecadores e carecemos da Graça (única e exclusivamente dela) para nossa salvação. Qualquer pessoa pode perceber que não há merecimento humano neste processo, e este choque de realidade nos leva valorizar ainda mais o sacrifício de Jesus em nossa vida… nos leva a buscar Seus conselhos e a rejeitar o engano nas mais variadas formas e distrações. De fato, ao conhecermos minimamente a história da redenção, a lógica nos faz rejeitar toda a aparência do mal e nos habilita ao arrependimento, mesmo falhando em alguns momentos.

Não importa quanto pecado haja ou quão terrível seja o seu resultado, a graça de Deus é suficiente para lidar com essa questão. A clareza de que as dimensões da graça são muito maiores do que o pecado (Rom 5:20), é como um oásis no deserto, traz conforto de um Pai amoroso e confiança para seguir o caminho por mais difícil que possa parecer. A insistência de Paulo de que o aumento do pecado é compensado pelo aumento da graça levou à pergunta que ele levanta no início do capítulo 6: “Permaneceremos no pecado para que a graça seja mais abundante?”. Tão grande foi a sua ênfase sobre a liberdade da graça divina, que Paulo foi acusado de ignorar os requisitos éticos da Lei (Rom 3:8). Agora ele frisava o ponto de que continuar no pecado envolveria uma contradição da nova identidade do cristão.

A renovação pelas águas – batismo – demonstra publicamente essa nova identidade/realidade do cristão. O novo homem não serve mais ao pecado, e isto significa que não cedemos mais às nossas paixões pecaminosas, ainda que o pecado continue em nós.

Longe de um processo automático, isto é uma vida de escolhas baseadas na compreensão do sacrifício de Jesus por nós. Isto é santificação.

A partir daí temos a promessa do verso 14 (cap. 6): “Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça”. Quem anda debaixo da graça é livre da condenação da lei do pecado, pois o pecado não mais o domina. Uma vez “debaixo da graça”, passamos deixar que Deus guie os nossos passos, sendo assim cumprimos a lei (toda a lei moral) pois ela define o pecado. Quem supostamente vive “debaixo da graça” mas desobedece a lei de Deus, não encontrará graça, mas condenação.

Pela nossa natureza o pecado reina em nossas vidas, e ele é bastante democrático: está disponível a todos. As formas em que se apresenta sempre vão ao encontro das nossas vontades e gostos pessoais (inclusive dentro da igreja): moda, música, entretenimento, relacionamentos, redes sociais, etc. Enquanto escolhemos as nossas próprias vontades, invariavelmente falhamos. Submissos a vontade dEle e por meio da fé [somente] podemos vencer.

Como saber qual é a vontade dEle?

O servo conhece seu senhor. Não podemos mudar o coração, não podemos por nós mesmos consagrar nossas afeições à Deus. Mas podemos escolher servi-Lo. Humildade e serviço nos aproxima de Deus. É no contato íntimo que O conhecemos. Em Sua presença podemos ouvi-Lo através da Palavra e do Espírito Santo impressionando nossas mentes. Já na presença do que é exposto pelo “mundo”, temos nossa percepção alterada para o “eu” e ao que nos agrada particularmente. Esta guerra entre as vontades é o pano de fundo do grande conflito.

São dois lados apenas. Não há espaço para neutralidade. Se escolhermos ser servos do pecado, então escolhemos morte. Já se escolhermos a obediência, teremos justificação através da graça (Rom 6:16). Pela fraqueza da carne, a “não escolha” nos garante escravidão ao pecado e à impureza. Não há como sermos servos de Deus sem renunciarmos o diabo e todas as suas obras. “Não pode ser inofensivo para os servos do Rei celestial o envolvimento com prazeres e diversões em que se empenham os servos de Satanás, embora eles repitam muitas vezes que tais diversões são inocentes” (Testemunhos Para a Igreja, V.1, p.404).

Aqueles que servem à justiça fazem coisas retas e louváveis, não com o objetivo de ganhar a salvação, mas como fruto de sua nova experiência em Jesus.

Nathaly Fonseca e Guilherme Carrijo